Esquema de Garimpo na Terra Yanomami
O empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador de Roraima, Antônio Denarium, é o principal suspeito de chefiar uma organização criminosa que operava no garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Segundo informações do Ministério Público Federal (MPF), o grupo movimentou cerca de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021.
O MPF apresentou uma denúncia formal contra Fabrício e mais cinco pessoas, todas acusadas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União. O caso foi descoberto durante uma investigação realizada pela Polícia Federal, cujo objetivo era desmantelar redes de garimpo ilegal na região.
A denúncia revela que Fabrício desempenhava um papel central na estrutura da organização, sendo o responsável por coordenar as operações do grupo. Ele teria atuado na articulação das atividades ilegais e na compra de equipamentos necessários para o garimpo, como máquinas e combustíveis. Além disso, era responsável pela contratação de pessoal para as operações e pelo controle das transações financeiras do esquema.
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De acordo com o MPF, o grupo atuava de forma metódica, captando recursos por meio de empresas de fachada e utilizando “laranjas” para movimentar o capital. Os lucros obtidos com a venda do minério extraído ilegalmente eram usados para pagar os integrantes do grupo e reembolsar investidores, perpetuando, assim, o funcionamento do esquema.
Empresas de Fachada e Lavagem de Dinheiro
Uma das empresas sob investigação, registrada como prestadora de serviços de representação comercial, movimentou mais de R$ 11 milhões em um período de três anos, mesmo sem possuir empregados ou um endereço comercial efetivo. A investigação apontou que essa empresa é de propriedade de Fabrício de Souza Almeida.
Em resposta às acusações, o ex-governador Antônio Denarium se manifestou, afirmando não ter responsabilidade sobre atos de familiares que vivem em lares separados. Denarium ressaltou que, se ilícitos foram cometidos, os responsáveis devem ser punidos conforme a legislação vigente.
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Junto a Fabrício, também foram tornados réus: Vanda Garcia de Almeida, irmã do ex-governador, e outros quatro homens: João Alisson de Sousa Alencar Lima, Paulo Pessoa Silva, Rafael Silva Souza e Wellington de Oliveira Castro. Caso sejam condenados, as penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
O MPF solicitou à Justiça que os acusados sejam condenados a pagar uma indenização de pelo menos R$ 500 mil por danos morais coletivos aos indígenas da Terra Yanomami, destacando que as atividades do grupo causaram sérios danos à população local.
Apreensões e Investigações
Durante as perícias realizadas, foram apreendidos diversos equipamentos relacionados ao garimpo, incluindo bombas hidráulicas e motores, na residência de Fabrício. Também foram encontrados registros detalhados de operações, como anotações sobre voos e pagamentos, além de cinco mil quilos de minério semelhante à cassiterita na casa de um dos investigados. É importante ressaltar que nenhum dos acusados tinha autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para realizar atividades de extração, transporte ou comercialização de minérios.
A denúncia foi elaborada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Procuradoria da República em Roraima (Gaeco/PRRR) em colaboração com o 2º Ofício da Amazônia Ocidental, que se especializa no enfrentamento da mineração ilegal nos estados da região Norte do Brasil.
A situação levantou preocupações sobre os impactos das atividades ilícitas na Terra Yanomami, uma das mais importantes áreas de preservação ambiental do país, que abriga diversas comunidades indígenas e uma rica biodiversidade. A exploração ilegal de recursos representa uma ameaça direta a esses povos e ao meio ambiente.
