Diálogo entre movimentos indígenas e sindicatos em Roraima
Durante a XI Assembleia Estadual da juventude indígena de Roraima, realizada na terça-feira, 22, o projeto “povos indígenas e o mundo do trabalho” foi apresentado aos jovens participantes. A iniciativa, fruto da parceria entre a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Condsef/Fenadsef, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), tem como objetivo estreitar os laços entre os trabalhadores organizados e os povos indígenas, valorizando a autonomia econômica, os territórios tradicionais e as agendas de luta comuns.
A apresentação ocorreu durante a mesa “Fortalecendo a economia e sustentabilidade indígena”, que reuniu jovens e lideranças na Comunidade Indígena Camará, localizada na região do Baixo Cotingo, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Essa aliança estratégica ganha relevância especial em um ano eleitoral e diante de debates que ameaçam direitos trabalhistas e indígenas, como ressaltou Aline Maciel, diretora da Executiva do Sindsep-DF, presente na atividade por indicação da diretora da Condsef/Fenadsef, Mônica Carneiro, e do secretário-geral da Confederação, Sérgio Ronaldo da Silva.
Estrutura do projeto e iniciativas para fortalecer a economia indígena
O projeto “Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho” está dividido em três eixos principais. O primeiro propõe a criação de uma cesta com produtos indígenas para venda nos sindicatos, promovendo o comércio justo e valorizando a produção local. O segundo eixo contempla exposições e debates que destacam a diversidade do mundo do trabalho indígena e suas lutas históricas. Já o terceiro prevê a elaboração de uma publicação que reúna experiências concretas de organização do trabalho indígena em diferentes regiões do Brasil, ampliando a visibilidade dessas práticas.
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Para Alex Capuano, da Secretaria Nacional de economia solidária da CUT Brasil, fortalecer as economias indígenas também significa reconhecer formas de organização baseadas na solidariedade, cooperação e autonomia das comunidades. “Essas experiências valorizam territórios, saberes tradicionais e produção coletiva, que precisam ser apoiadas como parte das alternativas em economia solidária”, afirmou.
Unidade entre sindicatos e povos indígenas para proteção dos direitos
A iniciativa reconhece que a defesa dos direitos trabalhistas e dos direitos dos povos indígenas possui pontos de convergência, podendo fortalecer uma agenda comum. O diálogo ampliado e a criação de espaços permanentes de articulação entre sindicatos e organizações indígenas são pilares dessa proposta.
A proteção e demarcação dos territórios indígenas, essenciais para a vida, organização e preservação ambiental das comunidades, fazem parte dessa agenda. Paulino Montejo, coordenador político da Apib, destacou que “os trabalhadores sindicalizados devem fortalecer a aliança com os povos indígenas, que também são trabalhadores, para construir uma sociedade mais justa, democrática e plural”. Ele reforçou ainda que a defesa desses territórios é fundamental para enfrentar crises climáticas, ambientais, hídricas e alimentares.
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O fortalecimento da produção e da economia solidária indígena, junto ao aumento do apoio dos sindicatos às comunidades, são caminhos apontados para aproximar essas frentes de organização social. A participação da Roraima (CIR) é fundamental nesse processo, garantindo uma articulação local efetiva.
XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima
O encontro reúne jovens de diversos povos e representantes das 11 etnorregiões de Roraima, criando um espaço para formação, diálogo, troca de experiências e articulação entre lideranças indígenas. A programação, que segue até sexta-feira, 25, inclui debates, apresentações, oficinas e atividades focadas no fortalecimento da juventude indígena. A última atividade será realizada na sede da CUT-RR, em Boa Vista.
Além da apresentação do projeto, os participantes receberam kits da CUT relacionados à iniciativa “Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho”, que já integra as atividades da Assembleia, reforçando a importância da união entre movimentos sindicais e indígenas para a construção de alternativas econômicas e defesa dos direitos dos povos originários.
