Diálogo ampliado com os povos indígenas em Goiás
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) realizou no dia 18 a segunda edição do projeto “Ouvidoria em Ação: Povos Indígenas”, no Instituto de Formação Superior Indígena Takinahakỹ (IFIST), vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG). A iniciativa, parte do Plano de Ação 2026 da Ouvidoria, visa estreitar a relação entre a Justiça Eleitoral e as comunidades originárias, promovendo maior acesso a informações sobre eleições e fortalecendo a participação política desses povos.
Educação política e participação fortalecidas
O projeto cria espaços de diálogo focados em direitos políticos, cidadania e o funcionamento do processo eleitoral. Além disso, desenvolve ações de educação política e produz materiais adaptados às necessidades específicas das comunidades indígenas. Em entrevista ao Jornal Opção, Myrrhamm (Mihan) Kayapó do Sul, cacique e primeira advogada indígena de Goiás, destacou a importância dessa iniciativa para ampliar o acesso à informação entre os povos originários. “Eu, como a primeira advogada indígena de Goiás, tenho prazer e felicidade em reforçar essa parte, para ampliar o acesso à população dos povos originários”, afirmou.
Myrrhamm também enalteceu os diversos povos indígenas presentes em Goiás, como os Avá-Canoeiros, Inỹ Karajás, Tapuia do Carretão, Xavantes e Kayapó do Sul, entre outros que vivem ou estudam no estado. Ela ressaltou a necessidade de maior atenção política às demandas indígenas, especialmente na área da educação. “A educação é tudo. As crianças precisam ler mais, fazer resumos. Elas precisam ter contato com esses conhecimentos para depois escrever e publicar isso”, acrescentou.
Desafios e avanços na representação política indígena
O presidente da Câmara Municipal de Nova América, Cleiton Tapuia, também conversou com o Jornal Opção sobre os obstáculos enfrentados pelas comunidades indígenas para participar do processo eleitoral. Segundo ele, o preconceito ainda é o principal entrave, somado à resistência interna dos partidos políticos e à escassez de vagas para indígenas, povos tradicionais e comunidades tradicionais, especialmente em Goiás.
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“Eu enfrentei muita dificuldade por ser indígena”, revelou sobre seu primeiro mandato. Cleiton defende que os partidos abram mais oportunidades e permitam a participação indígena sem restrições partidárias. Além disso, elogiou a atuação do governo estadual junto às comunidades tradicionais, destacando melhorias na infraestrutura territorial, ampliação das escolas e construção de quadras cobertas, frutos da parceria entre vereador, prefeito e governo do estado.
O vereador também ressaltou a criação de concursos públicos com vagas destinadas a comunidades tradicionais, enfatizando a importância de respeitar cotas para indígenas, quilombolas e kalungas. Entre as pautas prioritárias para os eleitores indígenas, ele apontou a garantia de direitos, a preservação ambiental, a educação e a saúde.
Sobre a saúde, Cleiton mencionou o cofinanciamento de R$ 20 mil repassado a municípios com terras indígenas, mas criticou suas restrições de uso. “O uso dele é muito vago, então a gente é muito restrito. O recurso serve para palestras e campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul, mas não pode custear exames de alto custo, cirurgias ou partos”, explicou. Para ele, é necessário ampliar a flexibilidade e autonomia de gestores locais, mantendo a prestação de contas.
Primeira edição do projeto e ações desenvolvidas
A primeira edição do projeto ocorreu em 10 e 11 de setembro, em Minaçu, onde atividades foram realizadas em escolas, na Terra Indígena Avá-Canoeiro, assentamentos, uma comunidade quilombola e na Universidade Estadual de Goiás (UEG). Na ocasião, o TRE-GO apresentou seus canais de atendimento, distribuiu materiais eleitorais adaptados e divulgou informações sobre democracia e eleições.
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Um destaque foi a cartilha eleitoral traduzida para a língua Avá-Canoeiro: foram entregues quatro exemplares no idioma da comunidade, acompanhados de versões em português com anotações de tradução, além de 50 cartilhas em português e materiais educativos para crianças.
Educação política voltada para inclusão indígena
O projeto inclui atividades educativas sobre cargos eletivos e a importância do voto, buscando incentivar a ocupação de espaços políticos por membros das comunidades indígenas. Também promove a desmistificação da função de mesário e simplifica a linguagem burocrática da Justiça Eleitoral, tornando o conteúdo mais acessível.
Outro foco é a elaboração de cartilhas com a participação da comunidade acadêmica indígena, reunindo informações eleitorais e temas relevantes para os povos originários.
Parcerias e presença institucional
O encontro contou com a presença da presidente do TRE-GO, desembargadora Elizabeth Maria da Silva, e do ouvidor regional eleitoral, desembargador Laudo Natel Mateus, coordenador do projeto. A iniciativa reúne parceiros como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), as secretarias estaduais de Desenvolvimento Social (SEDS) e Educação (Seduc), a Escola Judiciária Eleitoral de Goiás (EJE-GO), o Museu Antropológico da UFG, o Observatório dos Povos Indígenas de Goiás e a União dos Estudantes Indígenas de Goiás.
