Indústria Bélica dos EUA e o Fornecimento de Estanho Brasileiro
A empresa Indium fornece soldas para a Raytheon, gigante fabricante de sistemas militares como radares e mísseis de alta precisão, que mantém contratos vultosos com o governo norte-americano. Com mais de um século de atuação, a Raytheon faturou USD 88 bilhões em 2025. Entre seus contratos, um firmado em 2020, no valor de US$ 2,2 bilhões, prevê a entrega de sete radares de defesa antimíssil para a Arábia Saudita até 2027. Outro acordo, assinado em 2024 e válido até 2031, destinou US$ 2,9 bilhões para o fornecimento dos radares mais modernos para os Estados Unidos.
White Solder e Nathan Trotter: Ligação com o Garimpo Brasileiro
A White Solder também forneceu estanho para a Nathan Trotter, que se apresenta como a maior fabricante de estanho e ligas de solda da América do Norte. Registros alfandegários indicam que entre agosto de 2021 e agosto de 2025, a Nathan Trotter recebeu ao menos 2,4 mil toneladas do metal da produtora brasileira. Em setembro de 2024, o Departamento de Defesa dos EUA investiu US$ 19 milhões para a empresa instalar uma unidade de fundição e reciclagem de estanho na Pensilvânia, buscando fortalecer a produção interna e conter a influência chinesa no mercado global de minerais críticos.
Consequências da Demanda Militar para a Mineração
Emily Iona Stewart, chefe de políticas da Global Witness, alerta que a crescente demanda dos EUA por minerais para sustentar suas forças armadas pode agravar os danos ambientais e sociais ligados à mineração, legal ou ilegal, sem políticas rigorosas de segurança e diligência. Bruno Milanez, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, destaca que, apesar da narrativa de que esses minerais são estratégicos para a transição energética, parte significativa abastece a indústria bélica, sem controle sobre seu destino final.
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Denúncia por Garimpo Ilegal na Terra Indígena Yanomami
Em agosto de 2026, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra a White Solder e seu sócio-diretor por organização criminosa, lavagem de dinheiro e garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Segundo o MPF, a empresa teria pago R$ 166 milhões à Coopertin, cooperativa acusada de ser fachada para legalizar mais de 525 toneladas de cassiterita extraídas ilegalmente na TI Yanomami entre 2021 e 2022. A cassiterita era enviada para a filial da White Solder em Ariquemes (RO), onde era fundida e transformada em lingotes de estanho, facilitando sua inserção no mercado formal.
Suspeitas de Aquisição de Cassiterita de Áreas sem Atividade Mineral
Uma investigação da Repórter Brasil, em parceria com Greenpeace, revelou que entre 2020 e 2025 a White Solder comprou mais de 2,3 mil toneladas de cassiterita de áreas em Campo Novo de Rondônia sem indícios de mineração ativa. Imagens de satélite e investigações de campo indicam que essas áreas seriam “garimpos fantasmas”, usados para mascarar a real origem do minério, dificultando o combate às práticas ilegais.
Investigação do MPF sobre Compradores Internacionais
Além da denúncia, o MPF instaurou inquérito civil para apurar a responsabilidade de empresas que teriam adquirido estanho da White Solder. Subsidiárias brasileiras de grandes multinacionais como Amazon, Microsoft, Disney e Intel aparecem entre as mencionadas. A relação dessas empresas com a White Solder foi identificada na Operação Forja de Hefesto, da Polícia Federal, em dezembro de 2023, por meio de documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).
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Presença da White Solder nas Cadeias Globais de Tecnologia
Relatórios de minerais de conflito de 2025 apontam a White Solder como potencial fornecedora para ao menos oito grandes empresas de tecnologia, entretenimento e aeroespacial, incluindo NVIDIA, AMD, Rocket Lab e Sony. A mineradora brasileira é listada em documentos que indicam que seus minerais podem ter sido usados em produtos dessas companhias, apesar de não haver confirmação de uso efetivo. Algumas empresas, como NVIDIA e Panasonic, afirmaram manter políticas de fornecimento responsável e sustentabilidade, mas outras optaram por não comentar o caso.
Uso de Recursos Públicos Americanos e Impactos Socioambientais
Aaron Mintzes, da EarthWorks, critica o investimento do governo americano em empresas ligadas a violações socioambientais, alertando para a exploração de povos Indígenas e nações estrangeiras em busca de minerais. A Lei de Produção de Defesa dos EUA, que confere poderes ampliados ao Executivo, vem sendo usada para expandir a produção de recursos estratégicos, mas especialistas sugerem que o Congresso deve impor restrições para impedir o uso de recursos públicos em empresas que violam direitos humanos.
