Redução expressiva no garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami
Os alertas de garimpo na Terra Indígena Yanomami diminuíram 98% entre janeiro de 2023 e julho de 2026, conforme dados apresentados pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, durante audiência na Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, no Senado Federal, na segunda-feira (10). Esse recuo significativo reflete um avanço nas ações de combate à mineração ilegal na região.
O ministro ressaltou que áreas que, em 2023, apresentavam rios e vegetação degradados pela atividade ilegal já mostram sinais de recuperação natural. “Estamos testemunhando a retomada da floresta de forma espontânea”, afirmou Eloy Terena, destacando o impacto positivo das medidas adotadas.
Estratégia para desintrusão vai além da retirada de invasores
A crise enfrentada na Terra Indígena Yanomami evidenciou que apenas retirar garimpeiros não é suficiente se persistirem as estruturas que sustentam o garimpo ilegal. Por isso, a estratégia de enfrentamento incluiu o combate a elementos como combustível, aeronaves, pistas clandestinas e as redes logísticas que viabilizam a atividade.
Leia também: Exército Brasileiro Desmantela Pista Clandestina na Terra Indígena Yanomami e Combate Garimpo Ilegal em Roraima
Leia também: Operação Xapiri: Forças Armadas Combatem Garimpo Ilegal na Terra Indígena Yanomami
Segundo o ministro, a experiência na TI Yanomami contribuiu para a formulação de uma política que já realizou 13 processos de desintrusão em Terras Indígenas. Parte das ações focou no “sufocamento” da cadeia produtiva do garimpo, visando atacar os recursos que alimentam essa atividade ilícita.
Fiscalização aprimorada e monitoramento tecnológico
A fiscalização da aviação executou 11 operações em 242 aeródromos, tanto cadastrados quanto clandestinos. Paralelamente, esforços foram direcionados para identificar a origem do combustível usado no garimpo ilegal. O monitoramento territorial também recebeu suporte do Censipam, que forneceu mapas, informações técnicas e ferramentas digitais para acompanhar as áreas afetadas e apoiar as ações de fiscalização.
Participação e capacitação dos povos indígenas na proteção territorial
A política de proteção territorial incluiu investimento na formação e no fortalecimento das comunidades Yanomami e Ye’kwana. O Centro de Monitoramento e Proteção Territorial da TI Yanomami recebeu R$ 6 milhões para ações que abrangem capacitação, equipamentos e apoio às iniciativas locais. Outro projeto destinado ao monitoramento colaborativo contou com aporte inicial de R$ 8,2 milhões.
Leia também: Operações Federais Reduzem em Quase 99% o Garimpo Ilegal na Terra Indígena Yanomami
Leia também: Garimpo Ilegal na Amazônia: Uso de Starlink Revela Aumento das Atividades Criminosas
Até o momento, 42 indígenas foram certificados e equipados para atuar na vigilância das suas comunidades, ampliando a capacidade de proteção direta da população indígena sobre seus territórios.
Desafios permanecem e política permanente é necessária
Apesar da redução significativa nos alertas de garimpo, o ministro Eloy Terena alertou que a crise não está encerrada. Para ele, os resultados alcançados evidenciam a urgência de consolidar as respostas emergenciais da crise Yanomami em uma política permanente de Estado, garantindo a proteção contínua dos territórios indígenas e o respeito à sua integridade.
