Fortalecimento da cooperação entre CNJ e TJMG
Na quinta-feira (24/9), representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizaram uma visita institucional ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte, com o objetivo de intensificar a cooperação nas políticas judiciárias voltadas aos povos Indígenas e à segurança institucional do Poder Judiciário. A comitiva, composta pelo conselheiro Silvio Amorim Júnior, pelo juiz auxiliar da Presidência do CNJ José Gomes de Araújo Filho e pelo assessor Flavio Barboza, foi recebida pelo presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva.
Durante o encontro, o CNJ recebeu um diagnóstico institucional detalhado das ações desenvolvidas pelo tribunal mineiro, apresentado pela terceira vice-presidente, desembargadora Shirley Fenzi Bertão; pelo superintendente de Segurança Institucional, desembargador Ricardo Cavalcante Motta; e pelo juiz de Direito Matheus Moura Matias Miranda, que atua como auxiliar da Terceira Vice-Presidência. Essa troca de informações permitiu identificar desafios enfrentados pelo TJMG e discutir possibilidades para aprimorar as políticas nacionais do CNJ, levando em conta especificidades regionais e estruturas locais já existentes.
Ampliação do acesso à Justiça para povos indígenas
No âmbito das políticas indígenas, foram debatidas iniciativas que visam ampliar o acesso à Justiça, proteger os direitos dos povos originários e fortalecer os mecanismos para o tratamento adequado dos conflitos envolvendo comunidades tradicionais. O TJMG conta com experiências relevantes nessa área, como a criação do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para Povos e Comunidades Tradicionais (Cejusc Povos e Comunidades Tradicionais), instituído em 2023. Este centro atende demandas judiciais e pré-processuais relacionadas a indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
Além disso, o tribunal realiza ações de Justiça Itinerante junto às comunidades indígenas Maxakali, em Águas Formosas, e Xakriabá, em São João das Missões, e mantém cooperação com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Essas iniciativas estão alinhadas às diretrizes da Resolução CNJ 454/2022, que estabelece parâmetros para garantir o acesso dos povos indígenas ao Poder Judiciário, respeitando suas especificidades culturais, formas de organização social, línguas e direitos coletivos.
Leia também: Ministro dos Povos Indígenas Apresenta Manuais Cruciais ao Presidente do CNJ
Leia também: MPF acompanha demandas de mais de 40 lideranças indígenas em Santo Antônio do Içá
Em nível nacional, o acompanhamento dessa política ocorre pelo Fórum Nacional do Poder Judiciário para Monitoramento e Efetividade das Demandas Relacionadas aos Povos Indígenas (Fonepi), sob supervisão do conselheiro Silvio Amorim Júnior. A visita institucional reforça a política de diálogo promovida pelo CNJ, que busca contribuir para a implementação efetiva dessas diretrizes em regiões onde barreiras geográficas, linguísticas e culturais dificultam o exercício dos direitos fundamentais.
Segurança institucional como prioridade
Outro ponto central da reunião foi a segurança institucional, com foco na organização das estruturas responsáveis pela proteção de magistrados, servidores, usuários e das instalações do Poder Judiciário. O diagnóstico apresentado pelo TJMG destacou as atividades do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), vinculado à Presidência do tribunal, e as iniciativas voltadas à prevenção de riscos, inteligência institucional e articulação com órgãos de segurança pública.
Também foi ressaltada a importância da capacitação contínua dos profissionais, do intercâmbio de experiências e da integração entre as estruturas locais e nacionais de segurança. No âmbito do CNJ, a Resolução 435/2021 instituiu a Política e o Sistema Nacional de Segurança do Poder Judiciário (Sinaspj), que define diretrizes para fortalecer a capacidade institucional de prevenção e enfrentamento de ameaças à atividade jurisdicional.
O conselheiro Silvio Amorim Júnior destacou que a cooperação entre o Conselho e os tribunais contribui para o aprimoramento dessas estruturas e para a elaboração de respostas coordenadas, respeitando as particularidades de cada unidade judiciária.
Leia também: Indígenas Kayapó enfrentam riscos para barrar garimpo ilegal na Terra Indígena Baú
Leia também: Cimi Denuncia Falta de Consentimento dos Povos Indígenas em Processos do Patrimônio Mundial
Aproximação institucional para soluções conjuntas
Essa visita ao TJMG integra as diretrizes da gestão atual do CNJ, que valoriza o fortalecimento do diálogo institucional e a aproximação do Conselho com os tribunais brasileiros. O CNJ busca não apenas formular diretrizes nacionais, mas também escutar as realidades regionais, valorizar experiências locais e construir soluções em conjunto.
Dessa forma, o Conselho amplia sua presença junto aos tribunais, magistrados e servidores, fortalecendo canais de interlocução e permitindo que as políticas judiciárias sejam continuamente aprimoradas com base nas demandas reais de quem atua na prestação jurisdicional.
Visitas institucionais como esta são oportunidades para conhecer práticas bem-sucedidas, identificar dificuldades operacionais e promover a integração entre estruturas nacionais e locais. Para o juiz auxiliar José Gomes de Araújo Filho, responsável pela articulação das políticas, a agenda em Minas Gerais representa essa orientação da Presidência do CNJ, aproximando o Conselho do dia a dia do tribunal e reconhecendo o protagonismo das equipes que implementam as políticas judiciárias.
