Polêmica nas redes e na política
Sônia Guajajara, ex-ministra dos Povos Indígenas e candidata a deputada federal por São Paulo, fez uma declaração polêmica ao relacionar os terremotos recentes na Venezuela e na Colômbia à ascensão da extrema-direita na América Latina. Durante um evento em São Paulo, na terça-feira, 11, Guajajara comentou que esses abalos sísmicos ocorreram em países onde governos de extrema-direita assumiram o poder, citando especificamente a posse de Abelardo de la Espriella na Colômbia.
“Diante dos nossos olhos e dentro dos nossos territórios, mas também já nas grandes cidades, no Brasil, na América Latina e no mundo. A gente viu esses dias o que aconteceu na Venezuela, o que aconteceu agora de uma forma muito grave na Colômbia, e, estranhamente, onde esses países foram ocupados por uma extrema-direita radical, aconteceram esses terremotos. Eu não sei o que tem a ver uma coisa com outra, mas está seguindo uma linha que a gente realmente precisa se atentar e cuidar para poder não chegar aqui”, afirmou a ex-ministra.
Aspectos geológicos explicam os terremotos
Especialistas em sismologia desmentem a associação feita por Guajajara entre os tremores e a política local. Os terremotos são fenômenos naturais causados por movimentos nas placas tectônicas da Terra. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os tremores ocorrem quando o estresse acumulado nas falhas geológicas supera o atrito que mantém as placas presas, liberando energia que provoca o abalo sísmico.
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Os tremores registrados na Venezuela e na Colômbia, embora tenham magnitudes similares, são resultado de processos geológicos distintos e independentes. Na Colômbia, o abalo de magnitude 7,4 que ocorreu na segunda-feira a uma profundidade entre 103 e 110 km foi classificado como um terremoto tectônico associado a um mecanismo de subducção, onde a placa de Nazca, no Oceano Pacífico, se move sob a placa Sul-Americana.
Já na Venezuela, os tremores são consequência da interação lateral entre as placas Caribe e Sul-Americana. Viviana Dionísio, sismóloga da Rede Sismológica Nacional da Colômbia, destacou à agência EFE que tais fenômenos são comuns em regiões com essas características geológicas e não têm relação com eventos políticos.
Contexto e impacto para o Brasil e América Latina
Apesar da declaração da ex-ministra, não há evidências científicas que conectem atividades políticas a eventos naturais como terremotos. O Brasil, embora localizado em uma área menos propensa a abalos sísmicos, acompanha de perto esses fenômenos devido aos impactos que podem gerar na região e na estabilidade social. A discussão provocada pelo comentário de Guajajara reforça a importância de separar fatos científicos de posicionamentos políticos para evitar desinformação.
