Incêndios seguem ativos há 50 dias na Terra Indígena Apyterewa
A Terra Indígena (TI) Apyterewa, localizada em São Félix do Xingu, no Pará, enfrenta uma grave crise ambiental. queimadas provocadas por invasores atingem o território do povo Parakanã há 50 dias seguidos, segundo relatos dos Indígenas que estão na linha de frente tentando controlar as chamas com recursos limitados.
MPF exige explicações do Ibama e Corpo de Bombeiros Militar
Preocupado com a situação, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou respostas urgentes ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Corpo de Bombeiros Militar (CBMPA) sobre a aparente insuficiência de efetivo para combater os incêndios. Até o momento, os indígenas afirmam que não receberam apoio direto dos órgãos de segurança ou ambientais.
Vídeos registrados pelos próprios indígenas mostram a destruição causada pelo fogo, como animais da floresta mortos e um cavalo baleado por invasores, evidenciando o impacto da violência na região. O Ibama, em nota, declarou que monitora o caso e mantém as ações de combate em andamento, mas o CBMPA não se manifestou oficialmente.
Monitoramento aponta aumento recorde de focos de incêndio
Dados do Instituto Socioambiental (ISA), com auxílio da plataforma da rede Xingu +, confirmam uma escalada preocupante no número de focos de calor na reserva. De 1º a 21 de setembro, não houve um único dia sem registro de fogo, contabilizando 687 focos apenas nesse período. Considerando um histórico mais amplo, a TI Apyterewa está em chamas desde 4 de agosto, com recorde de 104 focos em 24 horas no dia 19 de setembro.
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Além da quantidade, a intensidade dos incêndios, medida pela liberação de energia radiativa (FRP), também atingiu níveis alarmantes em dias como 14 e 20 de setembro. A região vinha sendo monitorada após a retirada de invasores ilegais, como grileiros e criadores de gado, que ocupavam o território de forma irregular.
Pressão ambiental e social na maior reserva do Pará
Com 773 mil hectares, a TI Apyterewa é uma das maiores reservas pressionadas pelo desmatamento no país, área comparável à cidade de Goiânia (GO). A recente desocupação de invasores buscou garantir o direito originário e a segurança do povo Parakanã, mas os incêndios continuam ameaçando o território e a vida tradicional das comunidades.
Comunidade indígena relata abandono e morte de animais
Enquanto o fogo consome a floresta, os indígenas denunciam abandono pelas autoridades. Até 23 de setembro, nenhum órgão ambiental ou de segurança pública esteve presente para apoiar o combate direto às chamas. Moradores tentam, com poucas ferramentas e sem treinamento específico, proteger as aldeias e conter o avanço do fogo.
“Não tem bombeiros aqui. A situação está muito difícil e muitos animais da floresta já morreram queimados”, revelou um indígena Parakanã que preferiu manter o anonimato. Essa vulnerabilidade agrava o sofrimento das comunidades, que enfrentam o fogo e a violência dos invasores simultaneamente.
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MPF reforça cobrança por ações emergenciais e reforço no combate
O Ministério Público Federal voltou a pressionar o Ibama/Prevfogo e o 31º Grupamento Bombeiro Militar de São Félix do Xingu para que apresentem as medidas emergenciais adotadas e reforcem o efetivo na região. O órgão também solicitou que o comando dos bombeiros locais envie equipes de apoio para enfrentar o incêndio na TI Apyterewa.
Posicionamento dos órgãos envolvidos
O Ibama informou que a requisição do MPF refere-se às ações de prevenção e combate aos incêndios na Terra Indígena. Destacou a complexidade da operação devido ao clima de tensão, lembrando que, em 26 de agosto, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionou a Força Nacional para proteger as equipes no local, considerado zona de alto risco por conta de conflitos armados recorrentes.
O órgão ainda ressaltou que o combate às chamas continua coordenado pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman) Federal e que as ações permanecem em curso. Já o Corpo de Bombeiros Militar do Pará não havia respondido até a publicação desta reportagem.
