A pressão da mineração sobre Terras Indígenas e ecossistemas
A exploração de minérios no mundo inteiro tem colocado sob forte ameaça ecossistemas e Terras Indígenas, trazendo consequências socioambientais profundas. O preço elevado do ouro tem impulsionado o avanço do garimpo ilegal na Floresta Amazônica, causando desmatamento, poluição por mercúrio e invasões em territórios tradicionais. Ao mesmo tempo, a busca por minerais considerados essenciais para a transição energética tem reproduzido injustiças históricas contra povos originários, ampliando conflitos e violações.
Na Amazônia brasileira, só entre 2018 e março de 2026, estima-se que 25,3 toneladas de ouro extraídas ilegalmente foram comercializadas, movimentando cerca de R$ 18,4 bilhões. Essa exploração ilegal não apenas degrada a floresta, mas também contamina rios e afeta diretamente a saúde das comunidades indígenas. Investigação do Greenpeace Brasil revelou como o ouro do garimpo é “lavado” para entrar nas cadeias produtivas nacionais e internacionais, agravando o problema.
Ameaças à biodiversidade em Raja Ampat, Indonésia
Na Indonésia, país líder mundial na produção de níquel, a região de Raja Ampat, na Papua Ocidental, enfrenta novas pressões. O arquipélago, formado por mais de 1.500 ilhas, é reconhecido mundialmente pela biodiversidade marinha e terrestre, além de abrigar florestas tropicais preservadas. Comunidades indígenas locais, há gerações, mantêm o equilíbrio ambiental com práticas tradicionais, como o sasi, que regula o uso sustentável dos recursos naturais.
Apesar do reconhecimento de Raja Ampat como Reserva da Biosfera pela Unesco, a mineração de níquel ameaça essa riqueza natural. Em agosto de 2025, o governo indonésio cancelou quatro das cinco licenças para mineração, após pressão popular e investigação do Greenpeace Indonésia. Contudo, em 2026, três empresas ainda buscam autorização para exploração na região, colocando em risco 75% das espécies de corais, manguezais ancestrais e habitats únicos que sustentam as comunidades locais.
Resistência indígena e mobilização global
Em agosto de 2026, mais de cem lideranças indígenas da Ásia, África e Amazônia se reuniram em Raja Ampat para o Heyul Pelei Koranu Fyak, a Grande Assembleia das Comunidades Indígenas. O encontro, apoiado pelo Greenpeace Indonésia e pelo Institut USBA, fortaleceu a solidariedade entre povos originários na luta contra a mineração predatória e outras ameaças aos seus territórios.
Pahn Ô Kayapó, liderança da Amazônia que enfrenta invasões de garimpeiros, destacou a importância de unir forças para proteger as florestas e os povos. A Assembleia resultou na Declaração de Arborek, que reivindica o reconhecimento dos conhecimentos indígenas como essenciais para enfrentar as crises climáticas e de biodiversidade. Este documento será apresentado na COP17 da Biodiversidade, prevista para outubro de 2026 na Armênia.
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Impactos da mineração em Terras Indígenas
As atividades mineradoras provocam desmatamento, fragmentação de florestas, contaminação de rios e alimentos, destruição de habitats e geram conflitos que ameaçam a cultura, a alimentação e a subsistência dos povos indígenas. A contaminação por mercúrio, no caso do garimpo de ouro, afeta diretamente a saúde das comunidades.
O respeito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) é fundamental para garantir que os povos indígenas possam decidir sobre projetos que impactem seus territórios. A Declaração da ONU assegura aos indígenas direitos à autodeterminação, às suas terras e aos recursos tradicionalmente ocupados, princípios que devem ser observados na mineração.
Soluções propostas para mitigar os impactos da mineração
O Greenpeace propõe cinco medidas para reduzir os danos da mineração a povos indígenas e ao meio ambiente:
1. Criar zonas livres de mineração predatória e promover a restauração ecológica em áreas degradadas, como a Amazônia e Raja Ampat.
2. Garantir os direitos indígenas e o respeito ao CLPI em todos os projetos que afetem suas comunidades.
3. Direcionar financiamento climático diretamente a povos indígenas e comunidades locais, com atenção especial a mulheres e jovens.
4. Reduzir a demanda por novos minerais por meio de soluções como eficiência energética, transporte público, reciclagem e tecnologias que minimizem a extração.
5. Fortalecer compromissos na COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), especialmente em torno da meta 30×30, que busca conservar ao menos 30% da biodiversidade até 2030.
Participação e apoio à causa indígena
A mobilização da sociedade é essencial para enfrentar os desafios da mineração predatória. O Greenpeace Brasil, organização independente que não recebe fundos de governos, empresas ou partidos políticos, convida a população a apoiar a petição Amazônia Livre do Garimpo e contribuir com doações para ampliar o trabalho de pesquisa, monitoramento e denúncia de crimes ambientais.
Proteger as Terras Indígenas é defender não só os direitos dos povos originários, mas também a biodiversidade e o equilíbrio ecológico do planeta, pilares para conter a crise climática global.
