Roraima e a escalada da violência contra indígenas
Roraima se destaca negativamente no cenário nacional ao registrar 82 assassinatos de indígenas em 2025, o maior número entre os estados brasileiros. Segundo o relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em Brasília, o estado teve um aumento de 25 casos em relação ao ano anterior, que contou 57 mortes.
O levantamento aponta que, em todo o país, foram 258 assassinatos de indígenas no mesmo período. A escalada da violência em Roraima traz à tona conflitos intensos dentro das comunidades e confrontos com invasores ilegais, especialmente garimpeiros que atuam dentro da Terra Indígena Yanomami.
Casos emblemáticos evidenciam o conflito em Roraima
Dentre os episódios relatados pelo Cimi, destaca-se o assassinato de Itaci Yanomami, de 25 anos, morto em 28 de novembro durante um confronto armado com garimpeiros na região da Taboca, território Yanomami. O conflito entre indígenas e invasores armados reflete a tensão crescente diante da presença ilegal no território.
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Outro episódio grave envolve um adolescente Yanomami de 16 anos, morto em dezembro no contexto de um conflito interno entre as comunidades Maloca Paapiu e Catrimani, na região do Alto Catrimani. O relatório aponta que a disseminação de armas de fogo no território, associada ao garimpo ilegal, intensificou a letalidade desses confrontos.
Também chamou atenção o assassinato do casal indígena Warao, venezuelanos Yerferson de Jesus Montilla Matos e Myiela Perez Cardona, em 8 de janeiro, no abrigo Pintolândia, em Boa Vista. Eles foram mortos a tiros dentro do barraco, na frente dos sete filhos, sendo que um bebê de quatro meses também foi baleado.
Aumento preocupante nas mortes de crianças indígenas
Além dos assassinatos, o relatório do Cimi aponta que Roraima registrou crescimento no número de mortes de crianças indígenas de até quatro anos pelo segundo ano consecutivo, ficando em segundo lugar no país, atrás apenas do Amazonas. Foram 158 mortes em 2025, um aumento de 13,7% em relação a 2024, que teve 139 óbitos.
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Essas mortes ocorreram em grande parte por causas evitáveis, como gripe, pneumonia, doenças infecciosas intestinais e desnutrição, questões que evidenciam a vulnerabilidade das comunidades indígenas frente à precariedade no acesso à saúde.
Contexto e desafios para a proteção dos povos indígenas
O Cimi, ligado à Igreja Católica e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reúne dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai). O órgão destaca a necessidade de ações efetivas para frear a violência e garantir direitos e proteção aos povos indígenas, especialmente em territórios críticos como Roraima.
Questionado sobre as medidas adotadas para reduzir os assassinatos e a violência contra indígenas no estado, o governo federal não respondeu até a última atualização da reportagem. Enquanto isso, as comunidades seguem enfrentando ameaças constantes, refletindo um quadro urgente que demanda atenção pública e políticas específicas.
