Missão da CIDH reforça diálogo com lideranças Yanomami no Brasil
Entre os dias 15 e 19 de junho de 2026, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), por meio da Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (REDESCA), realizou uma visita de trabalho ao Brasil. O encontro reuniu lideranças indígenas, organizações parceiras e representantes da sociedade civil para discutir os impactos da mineração ilegal de ouro na Amazônia e no Escudo Guianense, territórios que abrigam comunidades Yanomami.
A delegação, liderada pelo relator especial Javier Palummo, realizou reuniões em Brasília e Boa Vista (RR), incluindo encontros com representantes do poder público, defensores de direitos humanos e comunidades indígenas diretamente afetadas pela exploração ilegal. Entre os presentes estavam o líder Yanomami Davi Kopenawa e o vice-presidente da Hutukara Yanomami, Dário Kopenawa.
Relatório regional busca aprofundar escuta dos povos indígenas sobre mineração ilegal
Esta missão integra o processo de elaboração do Relatório Regional sobre Mineração Ilegal de Ouro e seus impactos nos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais (DESCA) na região da Amazônia e Escudo Guianense. Segundo Palummo, o objetivo principal é ouvir diretamente os povos indígenas, organizações da sociedade civil e comunidades afetadas, a fim de compreender as consequências do avanço da mineração ilegal.
“A visita ao Brasil foi fundamental para aprofundar a escuta sobre os impactos dessa problemática nos direitos humanos, especialmente econômicos, sociais, culturais e ambientais”, afirmou o relator. Ele ressaltou que o documento não será focado exclusivamente no Brasil, mas terá uma abordagem regional, territorial e transfronteiriça, considerando diferentes Estados e territórios da região.
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Palummo destacou ainda que a REDESCA está na fase de coleta e sistematização das informações, que incluirá um chamado público para receber contribuições de povos indígenas, organizações da sociedade civil, instituições nacionais e especialistas. Entre os temas tratados estão os impactos da mineração sobre saúde, água, alimentação, território, identidade cultural, meio ambiente, contaminação por mercúrio e os riscos enfrentados por lideranças e defensores de direitos.
Lideranças Yanomami denunciam impactos graves e pedem maior pressão internacional
Durante a assembleia com a delegação da CIDH, lideranças Yanomami relataram os efeitos devastadores do garimpo ilegal em seus territórios. Eles destacaram o aumento de doenças, contaminação dos rios por mercúrio, alcoolismo, exploração sexual, circulação de armas e a destruição ambiental causada pela presença de garimpeiros.
Apesar das ações de combate em andamento, as invasões continuam ameaçando as comunidades Yanomami e seus territórios. As lideranças solicitaram maior pressão internacional para impedir a regularização da mineração em terras indígenas, reforçando a necessidade de proteção efetiva para seus direitos e modos de vida.
REPAM reafirma compromisso com defesa dos direitos indígenas
Em sua manifestação, dom Evaristo, presidente da REPAM-Brasil, expressou solidariedade ao povo Yanomami. Ele destacou o sofrimento causado pela invasão das terras, o desmatamento, a contaminação das águas e as doenças que afetam as comunidades.
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“A Igreja e a REPAM são aliadas dos povos indígenas e mantêm um compromisso profundo com a defesa de seus territórios e direitos fundamentais à saúde, educação e vida digna”, afirmou dom Evaristo. Ele garantiu que a rede eclesial continuará acompanhando as lutas indígenas, reconhecendo-os como protagonistas na defesa da vida, atualmente ameaçada pelo avanço da mineração ilegal.
Visita da REDESCA amplia visibilidade internacional para a causa Yanomami
A presença da Relatoria Especial da CIDH no Brasil representa uma oportunidade importante para dar maior visibilidade internacional à situação dos povos indígenas da Amazônia. Além de fortalecer os mecanismos de proteção dos direitos humanos, a missão reforça a urgência de medidas contra os impactos da mineração ilegal de ouro nos territórios Yanomami e outras comunidades da região.
A REDESCA é o órgão da CIDH responsável por promover e proteger os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais nas Américas, atuando em defesa das populações mais vulneráveis frente às ameaças territoriais e ambientais.