Investimentos e avanços na Terra Yanomami
Cerca de R$ 209,4 milhões foram efetivamente pagos para ações na Terra Indígena Yanomami desde 2023, conforme balanço apresentado pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, em reunião realizada nesta quarta-feira (12) em Boa Vista. O encontro, promovido na Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), reuniu representantes de cinco organizações indígenas de Roraima para detalhar os investimentos e as medidas adotadas pelo governo federal diante da crise humanitária enfrentada no território.
Recursos destinados e medidas judiciais
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) destinou R$ 210 milhões para ações na Terra Yanomami, dos quais R$ 209,5 milhões foram empenhados e R$ 209,4 milhões pagos. Eloy Terena ressaltou que parte desses recursos é fruto das medidas judiciais decorrentes da crise, citando a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, apresentada ao Supremo Tribunal Federal em 2020, quando ainda atuava como advogado do movimento indígena. A decisão garantiu recursos extraordinários para órgãos federais atuarem na região, resultado da persistente luta do movimento indígena.
Segurança alimentar e saúde indígena
Desde o início da emergência em 2023, mais de 190 mil cestas de alimentos foram distribuídas, beneficiando 429 comunidades Yanomami. A estratégia atual do governo é reduzir a dependência das ações emergenciais, ampliando iniciativas que promovam a autonomia alimentar. Entre 2023 e 2025, foram entregues 12.244 insumos e ferramentas produtivas, incluindo kits de pesca, utensílios e equipamentos para casas de farinha.
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No campo da saúde, o número de profissionais indígenas aumentou de 1.404 em 2023 para 2.107 em 2026. Foram concluídas 48 reformas e construções de unidades de saúde, como o Centro de Referência em Surucucu, o Polo Base Auaris e as Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) de Ericó e Xitei.
Redução do garimpo e fiscalização ampliada
Dados do monitoramento geotecnológico do Censipam indicam uma drástica redução na área de influência do garimpo ativo na Terra Yanomami, que caiu de 2,68 milhões de hectares em janeiro de 2023 para 19,9 mil hectares em julho de 2026. A fiscalização envolveu órgãos como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que aplicou 54 autos de infração e 15 interdições relacionadas ao abastecimento de combustíveis. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizou 427 fiscalizações e aplicou 28 infrações no transporte terrestre, enquanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vistoriou 242 aeródromos em Roraima.
Fortalecimento do protagonismo indígena
Na reunião, o ministro destacou projetos que reforçam o protagonismo Yanomami, como o Guardiãs do Bem Viver, voltado à Associação de Mulheres Yanomami Kumirayoma, e a certificação de 42 agentes indígenas de monitoramento territorial. Também foi mencionada a iniciativa de saúde materno-infantil Temi Totihi, premiada internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em dezembro de 2025.
Após o encontro, a comitiva ministerial realizou um sobrevoo de monitoramento na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, acompanhado pelo líder Yanomami Davi Kopenawa, reforçando o compromisso com a fiscalização e o diálogo direto com as comunidades.
