Abertura da exposição ‘Eu Chorei Rios’
Na quarta-feira, 6 de setembro, a FGV Arte, localizada em Botafogo, chamou a atenção de quem passava pela região. A movimentação intensa em frente ao espaço foi notável, com uma fachada repleta de intervenções artísticas imensas, além de um jardim circular adornado com troncos de árvores e diversas plantas que atraíam olhares curiosos. Essa agitação marcou a abertura da exposição ‘Eu chorei rios: arte dos povos originários da América’, uma curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff. Este evento apresenta um panorama plural das produções indígenas, reunindo cerca de 100 obras que refletem esta rica diversidade cultural.
Entre as numerosas pessoas presentes, estava o governador interino, Ricardo Couto, que fez uma rara aparição ao lado de um grupo significativo de seguranças. Apesar de ostentar uma popularidade considerável, o governador enfrenta críticas de segmentos da população, especialmente após a demissão de 1,6 mil servidores não atuantes da administração estadual. Essa polêmica gerou reações mistas, mas sua presença na inauguração da exposição demonstrou seu empenho em se associar a eventos culturais importantes.
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Couto, que permanece licenciado da presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), ainda conta com a escolta da segurança destinada a magistrados de alto escalão. Essa proteção foi ampliada pela colaboração do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Governo do Estado, o que dificultou a aproximação do público. A lotação do evento também complicou o cenário, enquanto agentes de segurança, com fones de ouvido e atentos a cada movimento, formavam um verdadeiro paredão ao redor do governador. “Parece o jantar do Trump na Casa Branca”, brincou um dos convidados.
Além de Couto, o evento também contou com a presença do prefeito Eduardo Cavaliere, do presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal, e do Procurador-Geral da República, Antonio José Campos Moreira. A mostra ‘Eu chorei rios’ é a oitava desde a inauguração da FGV Arte em 2023 e reúne artistas renomados como Ailton Krenak, Claudia Andujar, Daiara Tukano e Denilson Baniwa, além de referências históricas como Mestre Valentim e Djanira.
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Glicéria Tupinambá, uma das curadoras, destacou um dos elementos mais simbólicos da exposição: o famoso Manto Tupinambá. “O que eu faço é convidar as pessoas a sentirem. Rezar não dói, cantar não dói, dançar não dói. É uma forma de tirar o manto da vitrine e colocá-lo em movimento no corpo e no mundo”, comentou Glicéria, ressaltando a importância de interagir com as obras de maneira sensorial.
Além da exposição, a FGV Arte planeja acolher mais de 100 escolas e aproximadamente 5 mil estudantes da rede pública em visitas mediadas ao longo do período em que a mostra estará em cartaz. Com entrada gratuita e classificação livre, a mostra ficará disponível até o dia 20 de setembro, oferecendo uma oportunidade única de vivenciar a arte dos povos originários da América e fomentar o diálogo sobre suas culturas.
