Protesto em defesa da terra indígena Laklãnõ-Xokleng
Na tarde da sexta-feira, 14 de agosto, Indígenas do povo Laklãnõ-Xokleng ocuparam a rodovia BR-470, no município de Ibirama, Santa Catarina, em um protesto sob chuva intensa. O ato reivindicou a demarcação das terras tradicionais e a defesa dos direitos dos povos originários, ameaçados no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Julgamento do Marco Temporal e sua origem em Ibirama
A manifestação ocorre durante o julgamento dos Embargos de Declaração do Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365, que trata da tese do “Marco Temporal” (Tema 1031). Essa tese representa uma estratégia do Estado para restringir os direitos indígenas. Para os Laklãnõ-Xokleng, a disputa judicial tem um significado especial, pois a origem da tese no STF está relacionada à Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, território tradicional do povo em Santa Catarina.
Resistência e defesa da cultura indígena
Durante o protesto, lideranças destacaram que a luta pela terra é inseparável da preservação da cultura Laklãnõ-Xokleng. Um dos manifestantes resumiu a posição dos indígenas: “O Marco Temporal saiu de dentro da nossa terra indígena, Laklãnõ, em Ibirama (…) Sem terra nós não vivemos, e queremos o nosso direito, que é a nossa terra. É a nossa vida. Pedimos aos ministros e aos apoiadores que se posicionem. Nós somos os primeiros habitantes do Brasil.”
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Histórico de luta e resistência indígena
O protesto evidencia o descaso do Estado brasileiro com os povos tradicionais. Para os Laklãnõ-Xokleng, a resistência atual é a continuidade do enfrentamento iniciado desde a colonização. Uma liderança presente no ato afirmou: “Nossos antepassados morreram pedindo as nossas terras, que são o nosso direito. Estamos aqui dando continuidade à luta pela terra. O direito deles é o nosso direito, é o direito dos povos indígenas.”
Mobilização indígena contra ameaças jurídicas
Este julgamento no STF representa a mais recente tentativa de restringir os direitos indígenas, que enfrentam perseguição há mais de 500 anos. Mesmo diante da forte chuva em Ibirama, os Laklãnõ-Xokleng mantiveram a mobilização, reafirmando a luta pela terra e pela sobrevivência dos povos originários em todo o Brasil.
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