Diálogo e cobranças marcam reunião entre CPERS e Seduc
A situação das escolas Indígenas Karanda’ty, em Cachoeirinha, e Nheèngatu e Tekoa Jataí’ty, em Viamão, voltou a ser tema central em encontro realizado nesta quinta-feira (1º) com a Secretaria Estadual da Educação (Seduc). Participaram representantes das comunidades escolares indígenas, o 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, e membros do 22º Núcleo do Sindicato, com sede em Gravataí.
O objetivo da audiência foi cobrar da Seduc encaminhamentos concretos para garantir condições adequadas de ensino nas aldeias. Na reunião, a Secretaria apresentou uma proposta para reforma das estruturas escolares, dando sequência à mobilização iniciada em 18 de setembro. Naquela data, estudantes, lideranças indígenas e integrantes do CPERS protestaram em frente à sede da Seduc, em Porto Alegre, reivindicando condições básicas e dignas para o funcionamento das escolas indígenas.
Proposta de reforma e desafios para as comunidades
Após o encontro, o governo de Eduardo Leite (PSD) comprometeu-se a viabilizar um espaço provisório para as aulas, além de continuar as negociações sobre as demais demandas das comunidades. Porém, a falta de um local adequado para o ensino segue prejudicando a rotina educacional, obrigando as crianças a realizarem tarefas fora do ambiente escolar. Essa situação reforça a urgência de garantir uma educação pública que respeite as especificidades culturais e territoriais dos povos originários.
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A Seduc apresentou a possibilidade de reformar os Módulos Habitacionais Transitórios (MHTs) para implantar novas escolas. Como referência, citou a escola indígena da FEPAGRO, em Viamão, pertencente à etnia Mbya Guarani, que atende 118 estudantes e conta com dez professoras(es), uma supervisora e uma funcionária. O projeto inicial inclui secretaria, sala de professores, sanitários, cozinha, refeitório e seis salas de aula com capacidade para 20 alunos cada.
CPERS exige transparência e continuidade no diálogo
Apesar da proposta, não há garantias claras de execução, o que gera apreensão nas comunidades de Karanda’ty, Nheèngatu e Tekoa Jataí’ty. Por isso, Edson Garcia solicitou nova reunião para esclarecimentos sobre o andamento do projeto e das obras. O próximo encontro ficou marcado para 5 de novembro.
Para o CPERS, assegurar condições dignas de ensino nas aldeias indígenas é uma obrigação do Estado e um direito fundamental das comunidades. A educação escolar indígena precisa garantir o acesso às aulas, respeitando as culturas, territórios e modos de vida dos povos originários.
O Sindicato continuará acompanhando a situação e cobrando da Seduc medidas eficazes para garantir espaços adequados de ensino, com transparência sobre prazos e execução das propostas. A mobilização e o diálogo com as lideranças indígenas são essenciais para que as demandas das comunidades sejam atendidas, assegurando às crianças e jovens o direito a uma educação pública, gratuita, de qualidade e culturalmente apropriada.
