Cooperativa estadual é fundada para unir comunidades indígenas
Uma iniciativa inédita ganhou forma em Mato Grosso do Sul na última quinta-feira (24). Lideranças indígenas criaram a Coopims (Cooperativa Estadual dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul) com o objetivo de negociar diretamente a produção das comunidades, eliminando intermediários e fortalecendo a autonomia econômica local. Fundada em Campo Grande, a cooperativa abraça atividades que vão da agricultura e pecuária ao turismo de base comunitária.
A ideia central é permitir que os próprios produtores definam preços coletivamente e escolham seus compradores, além de facilitar o acesso a mercados privados, programas públicos e linhas de financiamento. Embora ainda esteja em processo de formalização, a cooperativa depende da aprovação dos cooperados para implementar seus projetos.
Gestão indígena e capacitação impulsionam a produção rural
O Terena Lisio Lili foi eleito presidente da Coopims e destaca que a cooperativa é uma iniciativa genuinamente indígena, criada para fortalecer as comunidades. Na área rural, a proposta inclui a compra conjunta de insumos, o compartilhamento de máquinas e a organização das vendas, ampliando a eficiência das produções.
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Antes de iniciar as atividades, os cooperados passarão por capacitação em gestão e técnicas agropecuárias, o que deve aprimorar as práticas produtivas e garantir maior sustentabilidade econômica.
Turismo comunitário e proteção do patrimônio cultural
O turismo de base comunitária e o etnoturismo também estão entre as frentes da cooperativa. Cada comunidade decidirá quais experiências apresentar aos visitantes, mantendo o controle sobre a utilização comercial de seus elementos culturais e conhecimentos tradicionais.
Além do turismo, a Coopims pretende organizar a venda de artesanatos, sementes nativas, plantas do bioma e expressões culturais associadas à medicina indígena. Um dos focos é buscar mecanismos de proteção, como indicações geográficas, para valorizar a diversidade e garantir o respeito aos direitos das etnias.
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Formalização e próximos passos
Após a assembleia de fundação, realizada no auditório do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a cooperativa trabalha na formalização junto à Junta Comercial do Estado (Jucems) e na obtenção do CNPJ junto à Receita Federal. Os projetos serão elaborados conforme as necessidades específicas das aldeias e grupos de produtores, passando pela aprovação dos cooperados antes de avançar para captação de recursos e parcerias.
A cooperação entre o Focams (Fórum dos Caciques de Mato Grosso do Sul), o CMDDI (Conselho Municipal de Direitos e Defesa dos Povos Indígenas) e o ICET (Instituto Cacique Enir Terena) foi fundamental para viabilizar essa iniciativa, que já representa um marco na organização econômica indígena no estado.
Segundo o estatuto aprovado, cada cooperado terá direito a um voto, independentemente da etnia, comunidade ou volume de produção, assegurando a igualdade nas decisões da Assembleia Geral, que também será responsável pela eleição dos dirigentes e pela destinação das sobras da cooperativa.
