Indígenas Kaingang alertam sobre danos causados pela retirada de pinus em Saint-Hilaire
A retirada de pinus na área do Parque Saint-Hilaire, entre Porto Alegre e Viamão, tem gerado apreensão entre os indígenas da Retomada Retánh Krã. Para os Kaingang, o corte das árvores invasoras não está respeitando a vegetação nativa que cresce sob os pinheiros, causando prejuízos ao ecossistema local.
A Prefeitura de Porto Alegre afirma que cerca de 29 hectares do parque são ocupados por pinus, uma espécie exótica que ameaça a biodiversidade. A remoção desses pinheiros faz parte de um manejo ambiental planejado, com a expectativa de favorecer a regeneração da flora nativa. No entanto, imagens divulgadas mostram um cenário preocupante, com danos visíveis à mata.
Comunidade questiona método e cobra reparação ambiental
Segundo relatos da Retomada Retánh Krã, a derrubada dos pinus tem afetado butiazeiros e outras árvores nativas, tanto pela queda das árvores invasoras quanto pelo uso das motosserras durante a operação. Um ancião Kaingang destacou os butiazeiros danificados e criticou o impacto deixado após a retirada, apontando que mesmo quando uma árvore protegida permanece, a vegetação ao redor pode desaparecer.
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A comunidade indígena também expressa preocupação sobre o que ocorrerá com os espaços desmatados. Eles questionam se haverá uma recuperação efetiva dessas áreas com plantio de espécies nativas ou se os locais ficarão abandonados, agravando a degradação ambiental.
Preocupação com o avanço imobiliário na região
Além dos danos ambientais, os Kaingang temem que as clareiras abertas possam ser utilizadas para loteamentos e empreendimentos imobiliários. A região já sofre pressão urbana, com registros recentes de abertura de ruas, venda irregular de terrenos e construções avançando em áreas do Saint-Hilaire, conforme informou a Prefeitura.
Este ano, Porto Alegre revisou o Plano Diretor e as normas de uso e ocupação do solo. Embora a Prefeitura defenda as mudanças como ferramentas para o desenvolvimento urbano e adaptação climática, movimentos sociais e ambientalistas questionam o aumento do espaço destinado à exploração imobiliária.
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Nas proximidades, a Floresta da Lomba do Pinheiro também enfrenta disputas judiciais sobre preservação ambiental e ocupação urbana, envolvendo a implantação de um empreendimento habitacional. A Retánh Krã reivindica o Saint-Hilaire como território ancestral Kaingang, destacando sua ligação com a proteção da mata, das águas e da biodiversidade.
Solidariedade e apoio à Retomada Retánh Krã
Recentemente, integrantes da Teia dos Povos em Luta no RS visitaram o território para manifestar solidariedade, especialmente após um temporal que atingiu fortemente a comunidade. Os moradores precisam de lonas, roupas e alimentos, e as doações podem ser feitas via Pix para o e-mail: [email protected].
