Veterinária Detida por Venda de cosméticos Suspeitos
(Uol/Folhapress) – Uma veterinária foi presa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sob a suspeita de manipular e comercializar xampu de cavalo destinado ao uso humano. Raylane Diba Ferrari, de 29 anos, foi detida no bairro Universitário, onde gerencia um petshop. Além de atuar como veterinária, ela também se destacava como influenciadora digital, reunindo mais de 500 mil seguidores que utilizava para promover os produtos que vendia.
A investigação revelou que Raylane estava utilizando um xampu empregado para tratamentos em equinos e o manipulava, adicionando cerca de sete mililitros de um suplemento veterinário em cada embalagem, antes de vendê-los nas redes sociais, conforme informações divulgadas pela Polícia Civil do estado. No seu petshop, os policiais encontraram várias caixas de produtos prontos para envio a clientes que já haviam adquirido o xampu ou pomadas capilares.
Não eram apenas cosméticos para humanos que estavam em questão. A investigação também flagrou que a veterinária oferecia soluções para recuperação de pelagens em cães descoloridos. Essa situação gerou alarmes e a apuração começou após uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado. Durante o inquérito, os investigadores encontraram evidências que levaram à prisão da veterinária.
Práticas Ilegais e Falta de Licenciamento
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O petshop de Raylane não possuía autorização sanitária para o manuseio de substâncias químicas. Em uma ação surpresa, a polícia flagrou um funcionário do local manipulando um tônico capilar, mas esse indivíduo não foi preso. Segundo o delegado Wilton Vilas Boas, “esses produtos são testados exclusivamente para uso veterinário. Já os cosméticos destinados a humanos passam por rigorosos estudos, e, portanto, não há como garantir a segurança e a eficácia do produto em pessoas”.
Após a detenção, Raylane foi encaminhada ao sistema prisional, onde optou por permanecer em silêncio durante o depoimento. Porém, ela deixou a cadeia na manhã seguinte após pagar fiança e agora cumprirá prisão domiciliar. Medidas cautelares foram aplicadas, e a Justiça proibiu temporariamente que a veterinária exerça sua atividade profissional, além de exigir que compareça a todas as audiências do caso.
A Defesa e as Alegações de Inocência
A defesa de Raylane negou as acusações de que ela manipulava os produtos comercializados online. Em nota, o advogado Ângelo Lourenço Domingo Bezerra afirmou que sua cliente apenas divulgava os produtos nas redes sociais e não tinha intenção de enganar seus seguidores. Ele argumentou que ela não detém conhecimento técnico sobre a manipulação de substâncias químicas ou biológicas, tampouco sobre os riscos potenciais que essas substâncias poderiam trazer aos consumidores. Além disso, a defesa enfatizou que não houve a intenção de prejudicar ninguém com suas ações.
Enquanto o caso continua sob investigação, a situação levanta questões importantes sobre a segurança no uso de produtos cosméticos e a responsabilidade dos profissionais envolvidos na sua manipulação e venda. A comunidade e os órgãos de fiscalização devem estar atentos para evitar que incidentes semelhantes voltem a ocorrer, garantindo a proteção da saúde pública e a segurança dos consumidores.
