Tragédia em Taquaperi
O vice-cacique da Reserva Taquaperi, Givaldo Santos Kaiowá e Guarani, de 40 anos, foi assassinado de forma brutal na noite da última sexta-feira (1º). Ele foi alvo de dois homens em uma motocicleta enquanto aguardava seu irmão retornar do trabalho na região do Chapeuzinho, localizada entre os municípios de Coronel Sapucaia e Amambai. O crime ocorreu por volta das 18 horas, quando Givaldo foi surpreendido pelos atiradores.
Após o ataque, o corpo da liderança indígena foi encontrado à beira da estrada, com um disparo na cabeça e a motocicleta posicionada sobre seu corpo. O Ministério dos Povos Indígenas, que visitou a comunidade no dia seguinte, confirmou a brutalidade da execução e destacou que Givaldo havia assumido seu cargo apenas no dia 3 de janeiro.
Contexto de Sabotagens e Conflitos
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário, a morte de Givaldo está inserida em um contexto de tensão na região, onde, na semana anterior, forças policiais realizaram um ataque durante a retomada do tekoha Tapykora Korá e da Reserva Limão Verde. Além disso, a morte do vice-cacique pode estar relacionada a um acidente recente, no qual um motorista embriagado, supostamente protegido por políticos locais, causou a morte de dois moradores da reserva e ferimentos em dois adolescentes.
Givaldo havia procurado ajuda da Polícia Federal para investigar esse acidente, o que pode ter contribuído para sua execução. Uma carta protocolada pela Aty Guasu no Ministério Público Federal, no Ministério dos Povos Indígenas e no Conselho Nacional de Justiça solicita proteção para lideranças indígenas e a responsabilização dos culpados, além da demarcação imediata da Terra Indígena Iguatempeguá II.
Protestos e Clamor por Justiça
No sábado (2), os Guarani e Kaiowá realizaram um protesto ao longo da MS-289, exigindo justiça pela morte de Givaldo. À tarde, o corpo foi levado de volta à Reserva Taquaperi para um rito fúnebre, onde a comunidade expressou não apenas dor, mas também revolta. Um indígena, que optou por não se identificar, expressou a indignação coletiva: “Nos matam feito animais, não respeitam a nossa vida. E Givaldo era pai de cinco filhos. O que será deles agora?”
A esposa de Givaldo destacou que não havia inimizades conhecidas que pudessem justificar o crime, e que os assassinos perguntaram por outra pessoa na porta de sua casa. Testemunhas ouviram pelo menos quatro disparos, e Givaldo teria morrido antes que socorro pudesse chegar. Apesar da presença da Polícia Federal no local, a investigação está a cargo da Polícia Civil.
Histórico de Violência e Demandas Indígenas
Na tarde do sábado, uma equipe do governo, incluindo agentes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas e integrantes do Ministério dos Povos Indígenas, visitou a Reserva Taquaperi devido à escalada de conflitos na área. Famílias foram forçadas a se deslocar para a reserva, após a retirada de tekohas que fazem parte da TI Iguatemipeguá II. Esta reserva, estabelecida há décadas, enfrenta problemas de demarcação e de um histórico de violência grave que já vitimou outras lideranças.
A carta da Aty Guasu, que mobilizou Givaldo, denunciava o ataque e o atropelamento que vitimou duas pessoas, levantando suspeitas de que sua morte está diretamente ligada a essas denúncias. Indígenas relatam que a estrada que corta a reserva se tornou um local perigoso, onde veículos de alta velocidade ameaçam a vida dos moradores. “O vice-cacique estava revoltado com o acidente e queria que as autoridades tomassem atitudes”, comentou um indígena da comunidade.
Com esta tragédia, a comunidade indígena se vê novamente em luto e enfrentando a luta por seus direitos e por segurança em suas terras. Denúncias de proteção a quem comete crimes contra indígenas e a falta de resposta efetiva das autoridades públicas só aumentam a apreensão e o sentimento de insegurança entre os povos Kaiowá e Guarani.
