Representação negra e indígena diminui na Câmara dos Deputados
As eleições para a Câmara dos Deputados resultaram na escolha de 135 parlamentares que se autodeclararam pretos ou pardos, o equivalente a 26,3% das 513 cadeiras da Casa legislativa. Essa nova composição representa uma queda de 2,9% em relação ao número registrado nas eleições anteriores, quando 139 deputados dessa mesma autodeclaração foram eleitos. A comparação entre os pleitos destaca a redução na presença negra dentro do Parlamento federal.
Desses 135 deputados pretos ou pardos eleitos, 77 conseguiram a reeleição, correspondendo a 57% do total, enquanto 58 parlamentares são novatos ou retornam ao Congresso após um período afastados. Essa renovação mostra tanto a continuidade quanto as mudanças dentro da bancada negra da Casa.
Distribuição partidária e presença estadual
A federação formada por União Brasil e PP liderou a eleição de deputados pretos ou pardos, com 32 representantes, o que corresponde a 23,7% dos eleitos desse grupo. Essa diversidade partidária indica que a representação negra está espalhada entre diferentes legendas, sem concentração em um único partido.
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São Paulo, que elegerá a maior bancada da Câmara, contará com sete deputados federais pretos ou pardos entre os 70 representantes do Estado. Entre eles está Erika Hilton (PSOL), que se autodeclarou preta, além de Marcos Pereira (Republicanos), Sidney Cruz (MDB), Ney Santos (Republicanos), Altair Moraes (Republicanos), Maria Rosas (Republicanos) e Milton Leite Filho (União Brasil), todos pardos. Erika Hilton foi a segunda candidata mais votada em São Paulo, com 1.596.472 votos, ficando atrás apenas de Lucas Pavanato (PL). A bancada paulista verá uma redução proporcional na representação negra, caindo de dez para sete deputados eleitos.
Redução na bancada indígena e aumento nas candidaturas
Além dos deputados pretos e pardos, a Câmara terá três parlamentares Indígenas eleitos: Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Sônia Guajajara (PSOL-SP). Paulo Guedes foi reeleito por Minas Gerais, enquanto Juliana Cardoso e Sônia Guajajara foram reeleitas em São Paulo, recebendo 111.904 e 54.207 votos, respectivamente. Sônia Guajajara, que comandou o Ministério dos Povos Indígenas no governo Lula, continuará na Câmara na próxima legislatura.
Essa composição representa uma redução em relação à bancada indígena eleita anteriormente, que contava com cinco deputados: Célia Xakriabá, Juliana Cardoso, Paulo Guedes, Silvia Waiãpi e Sônia Guajajara. Célia Xakriabá e Silvia Waiãpi não conseguiram se reeleger em 2026.
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Com apenas três representantes indígenas entre as 513 cadeiras, a presença indígena na Câmara permanece em torno de 0,6%. Esse dado ocorre mesmo com o aumento recorde de candidaturas indígenas para deputado federal, que chegaram a 75 no pleito, segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dados autodeclaratórios e próximos passos
As informações sobre cor, raça e etnia indígena utilizadas para essa análise são autodeclaratórias, coletadas pelo TSE durante o processo eleitoral. A Justiça Eleitoral ampliou a coleta desses dados a partir de 2022, possibilitando um retrato mais preciso das identidades dos candidatos.
Na classificação oficial, pretos e pardos são considerados conjuntamente como população negra, por isso o número de 135 deputados corresponde à soma desses dois grupos. A nova legislatura da Câmara dos Deputados tomará posse em 1º de fevereiro de 2027, para mandatos com duração de quatro anos. As eleições de 2026 foram decisivas para definir a composição atual da Casa.
