Reeleição e continuidade na luta pelos direitos indígenas
Sônia Guajajara (PSOL-SP) garantiu neste domingo (4) sua reeleição para deputada federal por São Paulo, consolidando sua trajetória marcada pela ampliação da representatividade indígena no Congresso Nacional. Em 2022, ela já havia feito história ao se tornar a primeira mulher indígena eleita deputada federal pelo estado de São Paulo, um feito significativo para os povos originários brasileiros.
Com o novo mandato, Sônia pretende intensificar sua atuação em pautas essenciais como a proteção dos territórios indígenas, o combate ao desmatamento e a crise climática, a defesa dos direitos das mulheres e a redução da jornada de trabalho. A deputada destaca que cada voto recebido representa o reconhecimento da importância da participação efetiva dos povos indígenas nas decisões políticas do país, não apenas como presença simbólica, mas com poder real de influência.
Prioridades para o mandato: meio ambiente e direitos sociais
Dentro das principais prioridades para o novo período na Câmara, Sônia Guajajara destaca a necessidade de barrar retrocessos socioambientais e proteger os biomas brasileiros. A defesa da demarcação dos territórios indígenas e a garantia dos direitos constitucionais são pautas centrais, acompanhadas da luta contra a misoginia e a violência política de gênero. Além disso, ela defende a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 sem redução salarial.
Outro foco importante é a emergência climática, que a deputada considera uma prioridade nacional. Para isso, propõe investimentos em justiça climática nas periferias, ampliação do saneamento básico, proteção dos rios e acesso à água potável para toda a população. O fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e das políticas de combate à fome também fazem parte de suas propostas, assim como o financiamento adequado para a saúde indígena e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Na área da educação, Sônia defende uma abordagem antirracista que valorize a diversidade cultural brasileira e promova maior acesso e permanência de indígenas nas universidades. O combate ao Marco Temporal, que limita o reconhecimento de terras indígenas, permanece entre suas prioridades, apontando para a defesa intransigente dos direitos originários dos povos indígenas.
Trajetória e liderança política de Sônia Guajajara
Originária do povo Guajajara/Tentehar, Sônia nasceu na Terra Indígena Araribóia, Maranhão. Saiu da aldeia aos 10 anos para estudar e formou-se em Letras e Enfermagem, com especialização em Educação Especial. Sua trajetória política começou no movimento indígena, onde ganhou projeção nacional e internacional defendendo os direitos dos povos originários e o meio ambiente.
Em 2018, tornou-se a primeira mulher indígena a compor uma chapa presidencial no Brasil como candidata à Vice-Presidência da República. Em 2022, foi eleita deputada federal por São Paulo. Em 2023, assumiu o Ministério dos Povos Indígenas, a primeira pasta ministerial voltada para a pauta indígena, que liderou até 2026, quando retornou à Câmara para disputar a reeleição.
À frente do ministério, Sônia atuou na estruturação da pasta e em políticas de demarcação, proteção territorial, saúde indígena e combate ao garimpo ilegal. Ela reforça que sua trajetória é marcada por pioneirismo, mas que sua luta é por abrir caminhos para outras mulheres indígenas e lideranças emergentes. A reeleição comprova que a presença indígena na política é sólida e reconhecida pela sociedade.
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Projeção internacional e compromisso com a biodiversidade
Além do impacto local, Sônia Guajajara ganhou destaque internacional ao participar de conferências climáticas e fóruns globais. Ela tem defendido que os territórios indígenas são fundamentais para a preservação da biodiversidade e para o equilíbrio climático do planeta. Em 2022, a revista Time a incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.
A deputada ressalta que os povos indígenas, embora representem uma pequena parte da população mundial, protegem áreas vitais para o meio ambiente global. Sua eleição simboliza a importância dos conhecimentos e da participação política indígena para enfrentar a crise climática e construir um futuro mais justo.
Campanha e apoio a iniciativas indígenas
Durante a campanha de 2026, Sônia Guajajara reforçou pautas como o combate ao desmatamento, a proteção dos territórios indígenas, a justiça climática nas periferias, os direitos das mulheres, o acesso à água e saneamento, o fortalecimento do SUS e uma educação antirracista. Ela contou com o apoio de iniciativas como Aldear a Política, que busca ampliar a presença indígena nos espaços de poder, e o movimento Reflorestar Mentes, que reúne diversas lideranças em defesa do clima e da diversidade.
Para Sônia, a verdadeira soberania passa pela preservação das florestas e pela garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Ela alerta que o Congresso Nacional não pode ceder a interesses predatórios nem comprometer a riqueza biológica do país. A defesa da demarcação e a luta contra retrocessos como o Marco Temporal são essenciais para evitar que o Brasil seja submetido a uma posição neocolonial.
