Senadores da Amazônia Legal e a pressão sobre a preservação ambiental
Com a crescente presença da extrema direita no Senado, a Amazônia Legal terá representantes, tanto reeleitos quanto novos, com histórico de atuação contrária à proteção ambiental. Entre os projetos apresentados estão a redução do tamanho das reservas legais na região, autorização para mineração em terras indígenas, diminuição das unidades de conservação e flexibilização da fiscalização e legislação ambiental.
A composição política da região reflete essa tendência. A extrema direita elegeu a maioria dos representantes: seis do PL, quatro do MDB e dois do União Brasil. Outros senadores foram eleitos por partidos como Podemos, Novo, PP, PSDB, PSD e Republicanos. O PT, por sua vez, mantém apenas um senador, Beto Faro, no Pará, após a derrota de Randolfe Rodrigues no Amapá.
Contexto recente da conservação na Amazônia Legal
Essa mudança ocorre em um contexto de avanços na conservação ambiental da Amazônia Legal nos últimos anos. Em maio de 2026, o desmatamento na região caiu 61,4% em comparação com o mesmo mês de 2025 — a maior redução percentual já registrada. Foram 370 quilômetros quadrados de vegetação suprimida em maio, contra 960 quilômetros quadrados no ano anterior.
Apesar desse progresso, a pressão política por flexibilizações cresce. Um levantamento do jornal O Globo identificou cerca de vinte candidatos ao Senado pela região que defendiam mineração ou garimpo em terras indígenas. Destes, nove foram eleitos: Bruno Sheid (PL-RO), Teresa Surita (MDB-RR), Nicoletti (PL), Mauro Mendes (União-MT), Zé Medeiros (PL-MT), Márcio Bittar (PL-AC), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM) e Lucas Barreto (PSD-AP).
Projetos que ameaçam áreas protegidas e a fiscalização ambiental
Entre os senadores do PL, partido ligado à família Bolsonaro, o deputado federal José Medeiros (PL-MS) é autor de um projeto que permite a retirada da vegetação secundária em áreas de uso alternativo sem autorização dos órgãos competentes, o que pode colocar em risco 17 milhões de hectares de florestas regeneradas. Medeiros também propõe transferir para a Marinha a licença de empreendimentos turísticos ou náuticos na orla marítima, retirando essa função dos órgãos ambientais.
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Outro representante do PL, o deputado federal Nicoletti (PL-RR), integrante da bancada do garimpo, apresentou projeto que impede a destruição de bens apreendidos em fiscalizações ambientais, uma medida que pode enfraquecer o combate às irregularidades.
Dos dezoito senadores que tomarão posse em 2027, apenas cinco foram reeleitos: Márcio Bittar (PL-AC), Lucas Barreto (PSD-AP), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM) e Eduardo Gomes (PL-TO). Todos possuem projetos que flexibilizam ou eliminam dispositivos da legislação ambiental.
Redução de áreas protegidas e mudanças em unidades de conservação
O senador Márcio Bittar (PL-AC) foi relator de projeto, coautoria do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que prevê reduzir de 65% para 50% a área dos estados amazônicos ocupada por áreas protegidas, diminuindo a reserva legal de 80% para até 50%. Segundo o Observatório do Clima, essa redução exporia 28,17 milhões de hectares (281.661 km²) de floresta ao desmatamento.
Junto com a deputada federal Mara Rocha (Republicanos-AC), ele apresentou proposta para transformar o Parque Nacional da Serra do Divisor, criado há mais de 30 anos, em Área de Proteção Ambiental (APA), reduzindo a proteção da região, além de alterar os limites da Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex), conforme apontou o site De Olho nos Ruralistas.
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O senador Plínio Valério (PSDB-AM), reeleito, segue na defesa de projetos controversos. Este ano, apresentou proposta para criar o “garimpo familiar de subsistência” e tem histórico de declarações ofensivas, incluindo misoginia contra a ex-ministra Marina Silva.
MDB e União Brasil na disputa pela Amazônia Legal
No MDB, partido que elegeu quatro senadores na região, destaca-se Tereza Sunita (RR), que vem da Câmara dos Deputados. O ex-governador Helder Barbalho (MDB-PA) assumiu o lugar do pai, Jader Barbalho (MDB-PA), que possui terras no Pará e atuou para reduzir a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim em julho de 2026.
Outro ex-governador eleito senador é Mauro Mendes (União-MT), que sancionou a lei que penaliza empresas que aderiram à moratória da soja, acordo para evitar a compra de produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente.
Senadores eleitos para a Amazônia Legal
Confira os senadores eleitos neste domingo (4): Bruno Sheid (PL-RO), Teresa Surita (MDB-RR), Nicoletti (PL-RR), Mauro Mendes (União-MT), Zé Medeiros (PL-MT), Márcio Bittar (PL-AC), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM), Lucas Barreto (PSD-AP), entre outros.
