Encontro decisivo para os direitos dos Yanomami
A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) marcou presença na 8ª Assembleia Geral da Associação Hutukara Yanomami, realizada em Roraima no dia 17 de junho. O evento reuniu lideranças indígenas, organizações parceiras e representantes da Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (REDESCA), vinculada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), durante sua visita ao Brasil entre os dias 15 e 19 de junho de 2026.
Objetivos da missão REDESCA na Amazônia
Esta missão faz parte da elaboração do Relatório Regional sobre mineração ilegal de Ouro, que aborda os impactos nos Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DESCA) na Amazônia e no Escudo Guianense. Liderada pelo relator especial Javier Palummo, a delegação realizou reuniões em Brasília e Boa Vista (RR) com representantes do governo, sociedade civil, defensores de direitos humanos e lideranças indígenas.
Entre os presentes estavam o líder indígena Davi Kopenawa, o vice-presidente da Hutukara Yanomami, Dário Kopenawa, o relator da REDESCA, Javier Palummo, além de representantes de comunidades diretamente afetadas pela mineração ilegal.
Escuta direta para um relatório regional
De acordo com Javier Palummo, a missão visa aprofundar a escuta junto aos povos indígenas e organizações da sociedade civil. “A visita ao Brasil e os encontros com lideranças e comunidades afetadas pela mineração ilegal de ouro foram fundamentais para entender os impactos dessa problemática nos direitos humanos, especialmente nos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais”, afirmou.
Palummo explicou que o relatório não será específico para o Brasil, mas sim um documento regional com enfoque territorial e transfronteiriço, considerando diversos Estados e territórios da Amazônia e do Escudo Guianense. A visita brasileira foi uma etapa importante para coleta de informações, sobretudo sobre a situação dos povos indígenas e os impactos da mineração ilegal de ouro.
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Temas centrais da escuta e desafios enfrentados
A REDESCA está na fase de coleta, escuta e sistematização dos dados, que incluirá um chamado público para receber contribuições de indígenas, comunidades, organizações da sociedade civil, instituições nacionais de direitos humanos, academia e especialistas. Palummo ressaltou que ainda é cedo para conclusões, mas os principais temas abordados envolvem os efeitos da mineração ilegal sobre a saúde, água, alimentação, território, identidade cultural e meio ambiente saudável.
Além disso, a contaminação por mercúrio, os riscos enfrentados por lideranças e defensores de direitos, o enfraquecimento da governança territorial indígena, e os desafios relacionados à prevenção, fiscalização, responsabilização, rastreabilidade do ouro e cooperação regional também são focos da análise.
Denúncias de impactos graves e pedidos de apoio internacional
Durante a assembleia, as lideranças Yanomami denunciaram os impactos devastadores do avanço do garimpo ilegal em seus territórios, e pediram maior pressão internacional para evitar a regularização da mineração em terras indígenas. Relatos indicaram aumento de doenças, contaminação dos rios por mercúrio, crescimento do alcoolismo, exploração sexual, circulação de armas e destruição ambiental causada pelos garimpeiros.
Apesar das ações de enfrentamento, as invasões persistem, ameaçando as comunidades e seus territórios.
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Solidariedade e compromisso da REPAM com os Yanomami
Em sua fala na assembleia, dom Evaristo manifestou profunda solidariedade ao povo Yanomami. “Ouvi relatos sentidos de um povo agredido, que clama por socorro diante da invasão de suas terras, derrubada das florestas, contaminação das águas e doenças que assolam a comunidade”, declarou.
O presidente da REPAM-Brasil destacou o compromisso da Igreja e da rede eclesial com a defesa dos direitos indígenas. “A Igreja e a REPAM são aliadas dos povos indígenas, comprometidas com seus territórios e direitos à saúde, educação e vida digna. Seguiremos ao lado deles, reconhecendo-os como protagonistas dessa luta e caminhando juntos na defesa da vida, hoje gravemente ameaçada”, afirmou.
Ampliação da visibilidade internacional para proteger os direitos indígenas
A visita da REDESCA ao Brasil representa uma oportunidade importante para dar maior visibilidade internacional à situação dos povos indígenas na Amazônia e fortalecer os mecanismos de proteção dos direitos humanos diante dos impactos da mineração ilegal. A Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais é o órgão da CIDH responsável por promover e proteger esses direitos nas Américas.
A participação da REPAM e a atuação da REDESCA reforçam a luta pela preservação dos territórios indígenas e a garantia dos direitos fundamentais, frente às ameaças crescentes da mineração ilegal e seus efeitos devastadores.
