Atendimento especializado nas aldeias de Itarema e Crateús
Desde o dia 14 até o domingo, 16, o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza atendimentos diretamente no território indígena do município de Itarema (CE). A iniciativa inclui consultas, exames e procedimentos especializados para as comunidades locais. Na sequência, entre os dias 19 e 22 de agosto, os serviços serão levados às aldeias situadas em Crateús, ampliando o acesso à saúde para as populações Indígenas da região.
Essa ação do SUS visa diminuir a demanda reprimida por cuidados especializados, especialmente em áreas onde as distâncias e as dificuldades de deslocamento ainda limitam o acesso aos serviços. Ao todo, cerca de 11 mil indígenas, distribuídos em 79 aldeias, serão beneficiados com esta expedição.
Parceria estratégica e integração da atenção à saúde indígena
O trabalho no Ceará acontece em colaboração com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e o Instituto Suel Abujamra, por meio do Projeto Aldeia em Foco. A iniciativa fortalece a conexão entre a Atenção Primária à Saúde Indígena e a Rede de Atenção à Saúde (RAS). Esta ação faz parte do programa Agora Tem Especialistas, instituído pela Lei nº 15.233, de 7 de outubro de 2025.
Um exemplo do impacto dessa iniciativa é Francisco da Silva Félix, indígena Tremembé de 87 anos, morador da Aldeia Varjota, em Itarema (CE). Pai de 12 filhos e avô de muitos netos e bisnetos, ele realizou um exame de vista durante os atendimentos do SUS. “É muito bom ser atendido aqui, perto da minha casa, dentro da aldeia. Moro aqui desde que nasci. O atendimento foi muito bom, o pessoal me tratou muito bem. Espero melhorar ainda mais da minha visão”, relatou Francisco, que enxerga parcialmente com o olho esquerdo.
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Consultas e procedimentos abrangentes nas aldeias
Estão previstas aproximadamente 980 consultas especializadas, distribuídas em diversas áreas: 490 em Oftalmologia, 175 em Clínica Médica, 175 em Pediatria e 140 em Saúde da Mulher. Também serão realizados procedimentos como colposcopia, inserção de dispositivo intrauterino (DIU) e Implanon, além da entrega de óculos de grau conforme indicação clínica. Os atendimentos ocorrerão nos Polos Base de Itarema, Crateús, Monsenhor Tabosa e Poranga, alcançando povos indígenas como Tremembé, Potyguara, Kariri, Kalabaça, Tabajara, Tupinambá e Gavião.
Participação indígena na gestão da saúde
Lucinha Tremembé, secretária de Saúde Indígena, destaca a importância da participação das lideranças e gestores indígenas no acompanhamento da expedição. “Sou indígena do povo Tremembé e estar aqui, no chão da aldeia, acompanhando esse trabalho, é motivo de muita satisfação. Isso demonstra que estamos construindo uma assistência diferenciada, baseada no respeito às especificidades culturais dos povos indígenas e no compromisso de superar barreiras geográficas e logísticas para garantir o acesso à saúde”, afirmou.
Expedição do SUS chega à terceira edição em terras indígenas
Esta é a terceira edição da expedição do SUS em territórios indígenas. Antes do Ceará, o projeto passou pela Terra Indígena Andirá-Marau, em Maués (AM), atendendo os povos assistidos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins. Também alcançou o território do povo Pirahã, no sul do Amazonas, beneficiando indígenas assistidos pelo DSEI Porto Velho.
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Estrutura itinerante e articulação entre gestores
A estrutura móvel da expedição é organizada em parceria com as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) e a Rede de Atenção à Saúde, respeitando as especificidades culturais e territoriais dos povos atendidos. A iniciativa segue as diretrizes da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI).
Além do atendimento direto, a ação fortalece a articulação entre a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), a AgSUS, o DSEI Ceará e gestores estaduais e municipais do SUS, contribuindo para a qualificação do cuidado e aumentando a eficácia da Atenção Primária Indígena.
Contexto do DSEI Ceará
O Distrito Sanitário Especial Indígena Ceará atende cerca de 31,7 mil indígenas aldeados, distribuídos em 27 municípios — sendo 18 no Ceará e nove no Piauí. Sua estrutura conta com 14 Polos Base, 27 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e uma Casa de Saúde Indígena (Casai). A iniciativa em Itarema (CE) reforça o compromisso do SUS em ampliar o acesso à saúde para as populações indígenas do estado.
