Lincoln Gakiya e sua Coragem na Luta Contra o Crime Organizado
Em 2005, o promotor Lincoln Gakiya, parte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, recebeu a primeira ordem do Primeiro Comando da Capital (PCC) para ser eliminado. A ameaça surgiu enquanto ele estava em uma farmácia em Presidente Prudente, comprando fraldas para seu filho recém-nascido. Um policial penal, que ficou sabendo do plano, fez questão de avisá-lo: “vá direto para a casa”. Ao chegar em casa, esperava por ele sua esposa e seus dois filhos, um deles ainda bebê.
Essa experiência aterradora não foi um caso isolado. Somente dois anos antes, o juiz Antônio José Machado Dias, conhecido como “Machadinho”, foi assassinado pela mesma facção, marcando um trágico marco na história do crime organizado no Brasil. Desde aquele momento, Gakiya se comprometeu a investigar as atividades do PCC, não apenas para preservar a própria vida, mas também para proteger sua família e a comunidade.
“Não tenho mais o direito de parar. O que começou como uma luta pela minha sobrevivência acabou salvando muitas vidas”, afirma Gakiya, que recorda um caso específico: o do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, que foi executado pelo PCC no ano passado, mas já havia recebido proteção graças às investigações do promotor.
Estratégias de Investigação Inovadoras
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Gakiya não apenas enfrentou ameaças diretas, mas também se tornou um especialista na estrutura e operações do PCC. A coincidência geográfica de viver e trabalhar em uma região com alta concentração de unidades prisionais o levou a se aprofundar nas investigações. Desde o início, suas abordagens foram bastante rudimentares. O promotor adquiriu celulares pré-pagos e gravadores digitais para realizar interceptações, sempre com autorização judicial. Ele conduzia as escutas em casa, transcrevendo as conversas e, assim, montando um intrincado quebra-cabeças sobre a facção criminosa.
Com mais de duas décadas de atuação no combate ao crime organizado, Gakiya se tornou um notório opositor do PCC. Em 2019, a situação se complicou ainda mais. Diante da hesitação do governo de São Paulo em agir, temendo uma nova onda de ataques como os de 2006, ele decidiu tomar uma postura firme. Sem o respaldo do governador ou do procurador-geral, protocolou um pedido para transferir Marcola e outros 21 líderes do PCC para diferentes unidades prisionais. Gakiya descreve esse ato como seu “decreto irreversível de morte”. Atualmente, ele conta com uma escolta que rivaliza com a de governadores e presidentes.
Reconhecimento Internacional e Cooperação Contra o PCC
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Com o passar dos anos, Gakiya consolidou um papel significativo a nível institucional. Ele tem viajado constantemente pelos Estados Unidos e Europa, buscando acordos de cooperação para investigar as atividades do PCC fora do Brasil. O objetivo é evidenciar a magnitude da facção, que agora possui membros em quase 30 países.
“Nos últimos anos, tenho conseguido ser ouvido em diversos países, que também reconhecem o risco que representa o crescimento de organizações como o PCC. A capacidade delas de se unir a grupos locais, como a máfia italiana, é uma preocupação global”, conclui Gakiya, ressaltando a importância de uma abordagem colaborativa no combate ao crime organizado.
