Um Salto Notável na identidade indígena
O mês de abril se destaca no Brasil como um período de valorização dos povos indígenas. Essa é uma época em que se faz necessário refletir sobre a presença e a trajetória desses grupos ao longo da história. E, embora informações sobre sua demografia tenham sido limitadas por muito tempo, os dados do Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentam um panorama surpreendente sobre a população indígena, especialmente em Feira de Santana.
Um dos dados mais impressionantes é o crescimento da quantidade de autodeclarados indígenas. Os números revelam que, enquanto em 2010 apenas 1.118 pessoas se identificavam como indígenas, essa cifra saltou para 6.621 na pesquisa mais recente. Isso representa um aumento de 592%, uma mudança significativa que reflete um novo contexto social e cultural. Na cidade, atualmente, os indígenas representam cerca de 1,07% da população total.
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Entretanto, é curioso notar que 87% desse grupo, aproximadamente 5.600 habitantes, não souberam ou não se sentiram à vontade para especificar a etnia à qual pertencem. Por outro lado, 12,1% (cerca de 792 moradores) identificaram uma etnia específica, enquanto apenas 50 pessoas (0,77%) indicaram pertencer a duas etnias. O uso do idioma português ou da língua de sinais é predominante, com 6.400 indivíduos utilizando essas formas de comunicação. Surpreendentemente, apenas 18 indígenas não se comunicam em nenhuma dessas duas línguas.
Quanto aos idiomas indígenas, 6.400 pessoas declararam não falar nenhuma língua nativa, o que equivale a 99,1% do total da população indígena na cidade. Apenas 47 indivíduos informaram que falam uma língua indígena, e um único entrevistado declarou se comunicar em duas línguas nativas. Informações sobre oito entrevistados, no entanto, não foram coletadas.
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A alfabetização também se destaca entre os indígenas de Feira de Santana. Dos 5.100 indivíduos com mais de 10 anos, 91% sabem ler e escrever, enquanto 506 não são alfabetizados. Dentre os jovens de até 19 anos, a taxa de alfabetização é impressionante: 97,7%. Já entre aqueles com mais de 80 anos, cerca de 70% possuem habilidades de leitura e escrita.
A mediana de idade dos indígenas feirenses é de 39 anos, um dado que sugere que metade da população é mais nova e a outra metade mais velha que essa faixa etária. Em termos de gênero, a pesquisa revelou que, para cada cem mulheres, existem cerca de 80 homens na comunidade.
No que diz respeito à moradia, a maioria dos indígenas em Feira de Santana vive em casas: 3.200 pessoas, ou 82,6% do total, residem em áreas residenciais convencionais. Além disso, 330 indivíduos (8,3%) moram em apartamentos, enquanto 350 estão em vilas e condomínios e sete habitam cortiços.
O crescimento expressivo da população indígena em Feira de Santana levanta questões sobre a identidade e o reconhecimento. Estarão as novas gerações se sentindo mais livres para afirmar sua identidade indígena? Embora a migração não tenha sido um fator predominante — com a cidade recebendo um número reduzido de refugiados venezuelanos de origem indígena —, a pesquisa abre espaço para um amplo debate sobre a permanência e a valorização das culturas indígenas na região. Sem dúvida, essa é uma temática que merece ser explorada mais a fundo.
