Uma Experiência Gastronômica Repleta de Memórias
Ao entrar na cafeteria Café e um Chêro, o que mais se sente é um afeto que vai muito além do aroma do café fresco. É impossível não perceber a presença vibrante da tradição nordestina, simbolizada na figura de Dona Alba, que traz em sua fala e na culinária a herança das cozinheiras de raiz do Brasil. Para ela, a comida transcende o paladar; é também um gesto de cuidado e acolhimento. A cafeteria, criada por Dona Alba e seu filho, João Gabriel Amaral, surge como uma extensão de sua história familiar, rapidamente encontrando seu lugar no coração da cidade.
O cardápio do local é um verdadeiro resgate de sabores e memórias da culinária nordestina, com receitas elaboradas com carinho e identidade. Mais que apenas um negócio, o Café e um Chêro se transformou em um ponto de encontro, onde cada detalhe reflete a força de uma rica herança cultural que continua a prosperar.
“O Café e um Chêro nasceu de um sentimento, não de um plano de negócios. Veio da vontade de trabalhar ao lado da minha mãe e compartilhar a comida dela com o mundo. Ao entrar, as pessoas percebem isso. Não seguimos um roteiro, mas a nossa intuição e um propósito claro: levar carinho à alma de quem nos escolhe”, revela João Gabriel, sócio-fundador.
Raízes e Motivações para o Empreendimento
O impulso para abrir a cafeteria veio de um forte desejo pessoal de João Gabriel: trazer sua mãe para Brasília. Dona Alba, conhecida entre amigos e familiares por seu talento na cozinha, sempre usou a comida como um meio de reunir as pessoas ao redor da mesa. Em meio a uma transição profissional, a ideia de transformar essa vivência em um negócio começou a tomar forma.
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Fonte: olhardanoticia.com.br
“Combinei a saudade de casa com a vontade de empreender e, assim, nasceu a ideia de criar um espaço que tivesse o cheiro de lar, comida autêntica e a sensação de acolhimento que se sente na cozinha da mãe”, explica João. Ele recorda que a primeira unidade foi inaugurada em 2017, na 109 Norte. “Foi um início simples, mas muito verdadeiro”, acrescenta.
Para João, o mais importante, além de preparar comida de qualidade, é transmitir o afeto através de cada prato. Esse cuidado se reflete na maneira como a equipe recebe os clientes, na escolha das receitas e na atmosfera do ambiente. “Queremos que as pessoas se sintam acolhidas, percebendo esse carinho em cada detalhe”, complementa.
Crescimento Sustentável e Comunidade
Atualmente, o Café e um Chêro conta com 11 unidades em Brasília e uma equipe de 245 colaboradores, abrangendo áreas como cozinha, atendimento, marketing e gestão. “Mais do que números, o que nos orgulha é que muitos dos nossos colaboradores estão conosco há bastante tempo, fazendo parte dessa história como se fôssemos uma grande família”, diz João.
O foco do negócio é continuar a crescer e levar a experiência do Café e um Chêro a mais pessoas, sempre mantendo a essência de oferecer comida de verdade e promover memórias afetivas. “No momento, estamos priorizando as lojas que já temos, sem planos imediatos de abrir novas unidades”, revela o sócio-fundador.
Comida que Conta Histórias
A conexão de João Gabriel com a gastronomia é profunda e remonta à sua infância. “Na nossa família, a comida nunca foi apenas comida. É um momento de encontro, de conversa, de celebração. Minha mãe é uma cozinheira excepcional e possui um tempero incrível. O Café e um Chêro é a extensão da nossa casa”, enfatiza.
Ele relembra que muitos clientes afirmam que a comida do Café e um Chêro lhes traz à memória os sabores da casa de suas avós ou mães. “Para nós, isso é o maior elogio que poderíamos receber. Algumas pessoas já choraram relembrando suas infâncias e raízes. Nossa proposta é valorizar nossa origem, sem medo ou vergonha, mas com gratidão pelo caminho que percorremos”, destaca.
Entre os pratos mais pedidos, destaca-se o pão com carne de panela, um verdadeiro clássico. O cuscuz também é muito apreciado, assim como os bolos feitos por Dona Alba, especialmente o de macaxeira com coco, além do café coado que conquista a todos.
“Para aqueles que estão visitando pela primeira vez, recomendo o pão com carne de panela ou o cuscuz com carne de panela na nata. E não esqueçam da sobremesa: a Torta do Tio Cacau, que é uma combinação deliciosa de sorvete, Bis, leite em pó e calda de chocolate. São pratos simples, mas que representam muito bem a nossa essência”, sugere João Gabriel.
Entrevista com João Gabriel Amaral
Por que o nome “Café e um Chêro”?
O nome reflete exatamente o que queríamos oferecer. No Maranhão, “dar um chêro” é uma maneira carinhosa de expressar afeto. Assim, desejamos que cada cliente que entrar ali possa desfrutar de um café e receber também esse carinho. É um nome simples, mas repleto de significado.
Quais foram os maiores desafios no início?
Como em todo empreendimento, o começo trouxe inúmeros desafios. Empreender requer coragem e resiliência. Tivemos que construir tudo: a equipe, os processos, a identidade da marca. Sempre acreditamos na essência do que estávamos construindo. Começamos com cadeiras simples, uma equipe pequena, eu atuando no atendimento e minha mãe na cozinha. Crescemos com calma, tendo os pés no chão, e nos firmamos em uma cidade que é acolhedora, mas também exigente.
Como vocês gerenciam a demanda e o crescimento da marca?
Crescer é maravilhoso, mas exige responsabilidade. O nosso foco é expandir sem perder a essência. É um desafio manter o padrão e o carinho em cada unidade. Para isso, criamos um centro de distribuição que padroniza alguns preparos, enquanto as lojas fazem a finalização. Minha mãe está sempre atenta à qualidade. A marca cresceu rapidamente, e precisamos nos capacitar como empresários para acompanhar esse crescimento.
