Serviços de Saúde Ajudam a Comunidade Guarani-Kaiowá
Na Terra Indígena (TI) Ñande Ru Marangatu, localizada em Antônio João, aproximadamente 2,3 mil indígenas estão recebendo atendimento médico, odontológico e social gratuito. A ação, que começou no dia 30 de abril e se estenderá até o próximo sábado (2), é promovida pelo Instituto Amigos do Coração e visa suprir as diversas necessidades da comunidade. Neste Dia do Trabalhador (1º), os voluntários continuam os atendimentos em carretas do instituto e em áreas dedicadas da comunidade, destacando que um único dia não é suficiente para atender a todas as demandas da população guarani-kaiowá.
Apesar da conquista de seu território ancestral, que foi adquirido pelo Estado e pela União para garantir a posse indígena, os guarani-kaiowá ainda enfrentam desafios. A TI, que passa por entraves administrativos, limita a possibilidade de trabalho e desenvolvimento dos seus habitantes. A conquista do direito à terra, firmada em um acordo no final de 2024, ainda não resolveu todas as dificuldades enfrentadas pela comunidade.
Estevão Molica, cirurgião-dentista e presidente do Instituto Amigos do Coração em Mato Grosso do Sul, explica que a campanha de saúde é possível graças a doações e recursos obtidos por voluntários e empresas parceiras de São Paulo e do próprio Mato Grosso do Sul. O atendimento odontológico, segundo ele, vai além de simples extrações ou tratamentos, incluindo a oferta de próteses dentárias e reabilitação completa. “É um serviço voluntário completo, realizado com a mesma dedicação que temos no nosso dia a dia”, afirma Estevão.
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Na área médica, a equipe disponibiliza consultas, realiza exames clínicos e entrega medicamentos. Além disso, foram doadas 500 cestas básicas e 3,5 mil peças de roupa para as 661 famílias residentes na TI. Um grupo de voluntários prepara refeições para os atendidos, enquanto outro se dedica a atividades recreativas para as crianças. “Temos voluntários em todo o Brasil. A gente não faz caridade, nós doamos o tempo útil, tempo de vida, não damos sobra”, completa o presidente do instituto.
Desenvolvimento da Comunidade ao Longo dos Anos
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Adriano Oliveira, vice-presidente do Instituto Amigos do Coração e gestor do projeto, relata que as atividades na TI Ñande Ru Marangatu começaram há cerca de oito anos. “Na primeira visita, encontramos uma grande vulnerabilidade. Com o apoio constante, conseguimos ajudar a comunidade a se desenvolver ao longo do tempo”, recorda Adriano.
Entre os voluntários, um dos mais jovens é o advogado Guilherme Rocha, que tem se dedicado a auxiliar em demandas que não estão diretamente ligadas ao seu campo de atuação. Ele percebeu que a comunidade ainda carece de documentação e assistência jurídica. “Eles precisam de orientação e serviços jurídicos. A Defensoria Pública, que poderia ajudar, está localizada em Ponta Porã, a cerca de 60 km de distância. Espero, no futuro, poder ser um voluntário a contribuir com isso”, destaca Guilherme.
