A Revolução do turismo sustentável em Kauwê
Desde a infância, a professora indígena Jucerlania Lima ouvia do pai, Gilberto Makuxi, sobre um futuro onde muitos indígenas deixariam as cidades de Roraima para retornar ao seu território ancestral. Ele afirmava que a verdadeira ‘maior aldeia’ estava em Boa Vista, capital do estado, composta por famílias que se afastaram de suas comunidades. Essa visão se tornou realidade anos depois.
A cerca de 220 quilômetros de Boa Vista, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, a comunidade Kauwê emergiu como um símbolo de resiliência e retorno às raízes. Fundada há aproximadamente 18 anos, a comunidade representa um movimento de retorno de famílias indígenas ao seu território tradicional, promovendo o fortalecimento da cultura do povo Macuxi.
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Principalmente formada por famílias que viviam em áreas urbanas, a Kauwê se transformou em um centro de empreendimentos focados no etnoturismo, agricultura familiar e produção de café especial.
As iniciativas da comunidade agora incluem roteiros turísticos, experiências culturais, produção agrícola e uma cadeia de café gerida pelas próprias famílias indígenas. Além de gerar renda, esses projetos contribuem para melhorias coletivas e ajudam na revitalização da identidade cultural de moradores que estiveram distantes de suas tradições.
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A responsável pelo turismo da comunidade, Karynna Makuxi, destaca: “O turismo veio para resgatar o que havia se perdido: a língua, as tradições, a culinária. Começamos a trabalhar novamente a língua materna, as danças culturais e nossas práticas dentro da comunidade”.
