Uma Mesa de Reflexão e Escuta no Sesc
O Sesc São Paulo está promovendo um encontro singular, intitulado “Corpo que Fala, Voz que Move”, que visa criar um espaço para escuta e reflexão acerca das manifestações artísticas, políticas e estéticas relacionadas a corpos dissidentes. Neste contexto, o corpo é visto como um campo expressivo que abriga identidades, experiências e contextos diversos. A iniciativa reúne arte-educadores(as), participantes de cursos e o público em geral com o objetivo de debater práticas cênicas que reconhecem o corpo como um instrumento vital de criação e expressão artística.
A proposta do evento está alinhada com a necessidade atual de discutir a diversidade de vozes e experiências no campo artístico, especialmente em um cenário onde as questões de identidade e inclusão têm ganhado destaque. A mesa de discussão promete não apenas a troca de saberes, mas também um aprofundamento das relações entre arte e sociedade.
Fábio de Sá e sua Contribuição para a Educação de Surdos
Um dos destaques do evento é Fábio de Sá, que traz uma bagagem significativa em sua trajetória. Crescido em uma escola para surdos, Fábio passou a integrar uma escola regular no Ensino Médio, convivendo com ouvintes. Sua carreira se divide em duas frentes: a educacional e a artística. Ele possui formação em Letras-Libras e foi instrutor na APADA, onde atuou por um ano. No SENAC, Fábio lecionou Libras nos níveis Básico I, II e III, desenvolvendo materiais didáticos, incluindo uma apostila e aulas em DVD.
Atualmente, Fábio é professor em instituições renomadas como a escola Derdic, que está ligada à Fundação São Paulo e à PUC-SP. Sua atuação se estende a faculdades como a FIZO e a Faculdade Anhanguera, além de ministrar aulas à distância. No âmbito artístico, ele já realizou diversas oficinas em locais como SESC e K&K Libras, sendo também um pesquisador poético em Libras, com apresentações em países como Japão, França, Chile e Colômbia.
Flip Couto e Sua Trajetória nas Artes Cênicas
Outro nome relevante na programação é Flip Couto, um artista da dança e curador que possui mais de 25 anos de envolvimento na cultura Hip Hop. Reconhecido na cena nacional como uma figura emblemática, Flip é idealizador do Coletivo AMEM e diretor da AVoadoras. Ele é também cofundador da Aliança Pró-Saúde da População Negra e criador das obras “Sangue” e “Okó: Maskulinidades Transatlânticas”.
Em 2025, Flip atuará como curador convidado da Bienal Sesc de Dança e já integrou equipes curatoriais do Theatro Municipal de São Paulo. Seu trabalho investiga o corpo como um espaço político e expressivo, abordando questões de gênero, raça e saúde, especialmente em relação à crise da AIDS, sendo um importante defensor da visibilidade das minorias.
A Pesquisa de Luis Ferron nas Diversidades Culturais
Luis Ferron, também presente no evento, é outro artista que direciona sua pesquisa para a diversidade corporal e cultural, buscando expressões artísticas que dialoguem com a espiritualidade e as tradições brasileiras. Com uma carreira que inclui direção de projetos de criação e difusão da dança, Ferron enfatiza a importância de ritmos como tambores e batuques no contexto cultural brasileiro.
Miguel Rocha e Seus Reconhecimentos no Teatro
Por fim, Miguel Rocha, sócio fundador e diretor da Companhia de Teatro Heliópolis, traz uma vasta experiência na direção de espetáculos. Seu trabalho tem sido amplamente reconhecido, com indicações a prêmios como o Shell e APCA, destacando-se em produções que abordam temas sociais e políticos. Espetáculos como “A boca que tudo come tem fome” e “Quando o Discurso Autoriza a Barbárie” são exemplos de sua contribuição ao teatro contemporâneo.
Os ingressos para o evento são gratuitos e podem ser retirados uma hora antes do início, proporcionando a todos a chance de participar desta rica troca de experiências e reflexões. O “Corpo que Fala, Voz que Move” é uma oportunidade de se aprofundar em temas relevantes da atualidade através da arte.
