Desafios e Perspectivas na educação intercultural
O papel da educação voltada para povos indígenas e os desafios que esses estudantes enfrentam para permanecer no ensino superior foram temas centrais de um debate promovido pelo Adufg-Sindicato, realizado na última quarta-feira (29/04), no Câmpus Cidade de Goiás da Universidade Federal de Goiás (UFG). Parte da programação do mês dos povos indígenas, a atividade reuniu docentes, pesquisadores e alunos com o objetivo de discutir a educação intercultural e a busca por uma universidade mais inclusiva.
O evento contou com a presença dos professores Hélio Simplício, da Unidade Acadêmica Especial de Ciências Humanas (UAECH-UFG), e Jurandir Souza Xerente, vinculado ao Núcleo Takinahakỹ de Educação Intercultural da Faculdade de Letras (FL-UFG). A mediação ficou a cargo da presidenta do Adufg-Sindicato, professora Geovana Reis, que enfatizou a importância do diálogo e da escuta ativa nas questões que envolvem os povos indígenas.
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Uma das novidades da programação foi o lançamento do Censo Indígena, um projeto de extensão da UFG em colaboração com a Secretaria Municipal de Promoção da Equidade e Igualdade Étnico-Racial da Cidade de Goiás. Essa iniciativa visa mapear as culturas, trajetórias e demandas sociais da população indígena que reside no município, contribuindo para a formulação de políticas públicas mais eficazes e alinhadas com a realidade local.
Além dos professores mencionados, o evento também contou com a participação da diretora de Assuntos Interinstitucionais do Adufg-Sindicato, professora Alessandra Gomes de Castro, e da secretária de Igualdade e Equidade Étnico-Racial da Prefeitura de Goiás, Elenizia da Mata. O representante da Secretaria de Inclusão da UFG, Pedro Cruz, e o diretor do Câmpus Goiás, Alisson Araújo, também marcaram presença, entre outras autoridades.
Educação Intercultural e a Importância do Diálogo
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No decorrer do debate, Geovana Reis fez questão de ressaltar o compromisso do Adufg-Sindicato com as questões que envolvem os povos indígenas. “Estamos aqui para dialogar sobre as realidades enfrentadas por essas comunidades no Brasil, reconhecendo a importância que elas têm para o nosso país, Estado e, principalmente, para a universidade”, disse a presidenta, expressando a necessidade de uma abordagem sensível e informada.
A diretora Alessandra Gomes de Castro complementou a fala de Reis, destacando a importância da escuta e do diálogo, especialmente diante do aumento da presença indígena no ensino superior. “No Câmpus Goiás, temos a Licenciatura em Educação do Campo, que reúne cinco etnias. Cada uma delas traz suas próprias culturas, saberes e conhecimentos. Por isso, é fundamental que possamos ouvir suas vozes para construir soluções conjuntas”, afirmou, sublinhando a diversidade como um pilar da educação.
O professor Jurandir Souza Xerente, por sua vez, ressaltou a rica diversidade dos povos indígenas no Brasil, destacando a urgência de políticas que não apenas garantam o acesso, mas que também assegurem a permanência desses estudantes nas universidades. “Com 391 etnias e 295 línguas faladas, além de mais de 1,5 milhão de indígenas vivendo no país, precisamos refletir sobre a permanência desses alunos no ensino superior e como isso pode ser viabilizado”, enfatizou.
Ele também apontou que o debate acerca da docência com povos originários deve englobar tanto a construção curricular quanto a formação de professores indígenas. “Os resultados desse diálogo são cruciais para que a sociedade reconheça nossa diversidade e respeite as diferentes realidades que coabitam o país”, concluiu o professor, evidenciando a necessidade de um olhar atento e respeitoso para as questões que envolvem os povos indígenas.
