Fortalecimento da Comunicação entre os Jovens Indígenas
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) promoveu, entre os dias 30 de abril e 3 de maio, a 1ª Oficina de Comunicação Popular voltada para a Juventude Indígena Guarani-Kaiowá em Douradina, Mato Grosso do Sul. A iniciativa teve como objetivo fortalecer a auto-organização da juventude, enfrentar as violências e capacitar tecnicamente os jovens indígenas LGBTQIA+ nas principais ferramentas de tecnologia da informação.
Essa ação foi realizada em parceria com a Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (SLGBTQIA+) e diversas instituições, e faz parte do Programa Nacional de Enfrentamento à Violência e Promoção dos Direitos Humanos das Pessoas LGBTQIA+ nos Territórios do Campo, das Águas e das Florestas, conhecido como Bem Viver+. A iniciativa foi criada por meio da Portaria Interministerial nº 1, de 3 de dezembro de 2024, resultado da colaboração entre o MDHC, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR).
Roda de Conversas e Oficinas Práticas
A programação começou com uma abertura intitulada pela Secretaria de Cidadania de Douradina, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Retomada Aty Jovem (RAJ) e Juventude Indígena da Diversidade Guarani-Kaiowá (JUIND). Uma roda de conversa abordou os desafios e as perspectivas da comunicação popular na luta dos povos indígenas, destacando o papel das redes sociais neste contexto.
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No dia seguinte, representantes do MDHC e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) conduziram oficinas sobre a produção de materiais comunicacionais. Os tópicos incluíram design, audiovisual, fotografia e conteúdos em áudio, com foco nos formatos digitais que têm se tornado cada vez mais relevantes na vida contemporânea.
Germano Kaiowá, ativista e mestre em Geografia pela UFGD, comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelo seu povo na produção de conteúdos. Ele ressaltou a importância das oficinas, afirmando: “A programação nos ajudou a superar a falta de conhecimento técnico sobre como utilizar as tecnologias. Muitos jovens demonstraram interesse em aprender e em utilizar essas ferramentas para facilitar a comunicação em nossas reservas e aldeias”.
Construção de Redes e Troca de Saberes
Durante as atividades, os participantes também discutiram a formação da Rede de Autoproteção, Cuidado e Fortalecimento do Bem Viver Guarani-Kaiowá, chamada Nhangareko, que significa “nosso modo de vida” na língua local. O evento buscou promover a união em torno dos direitos e da cultura Guarani-Kaiowá.
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Fonte: agazetadorio.com.br
No último dia do encontro, foram trocadas ideias para o planejamento do 11º Encontro da Retomada Aty Jovem, previsto para ocorrer no segundo semestre de 2026. Os jovens Guarani-Kaiowá aplicaram o aprendizado na produção de conteúdos que narram a história de seu povo e a vivência nas aldeias, combatendo preconceitos por meio da informação.
A Importância da Memória e da Cultura
Wesley Lima, chefe de gabinete da SLGBTQIA+, ressaltou a relevância da oficina como um meio de promover os direitos fundamentais dos indígenas no Mato Grosso do Sul. Ele afirmou que “a comunicação é uma maneira de preservar a memória, que é essencial para documentar a existência e os fatos da nossa história”. Ele acredita que essa oficina ajudará a amplificar a voz dos povos indígenas, permitindo sua maior inclusão em políticas públicas de segurança, saúde e educação.
Por sua vez, o programa Bem Viver+ valoriza a autodeterminação e a cultura dos povos tradicionais, buscando fortalecer sua identidade. Durante as atividades, os Guarani-Kaiowá celebraram suas tradições por meio de cantos e rezas, expressões que são fundamentais para sua cultura.
Rumo à Construção de Territórios Livres de Preconceitos
O Bem Viver+ tem o objetivo principal de enfrentar a violência e promover os direitos humanos das pessoas LGBTQIA+ em contextos rurais e tradicionais. O programa busca criar um ambiente baseado em solidariedade e harmonia, respeitando a diversidade. Faz parte da Estratégia Nacional de Enfrentamento à Violência contra Pessoas LGBTQIA+, instituída pela Portaria MDHC nº 756, de 5 de dezembro de 2023, que visa combater a LGBTQIAfobia e promover a inclusão social.
O programa não apenas valoriza a diversidade cultural e étnica, mas também busca construir espaços onde as pessoas LGBTQIA+ possam viver dignamente, livres de preconceitos e violências, garantindo a todos o direito de serem respeitados e valorizados.
