Grupo Nacional para Fortalecer o Turismo de Pesca
No dia 12 de outubro, durante a abertura da Pesca Trade Show 2026, realizou-se o 4º Fórum Nacional do Turismo de Pesca. O evento contou com a presença de representantes de diversos estados, empresários e especialistas, todos reunidos para discutir estratégias que visam potencializar a pesca esportiva no Brasil. Um dos pontos-chave do encontro foi a formação de um grupo de trabalho que envolverá Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Tocantins, Amazonas, São Paulo e Roraima, além de instituições como o Ministério do Turismo, o Ministério da Pesca e a Embratur. O principal objetivo é articular ações conjuntas para promover o Brasil no mercado internacional de turismo de pesca e melhorar a coleta de dados sobre o setor.
Marcos Glueck, presidente da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), ressaltou que o Brasil enfrenta um déficit na coleta de informações que mapeiam o impacto econômico e o número de praticantes da pesca esportiva. Essa falta de dados representa um desafio na elaboração de políticas públicas eficazes para o segmento.
O Potencial do Turismo de Pesca no Brasil
Pesquisas apresentadas durante o fórum apontam que o turismo de pesca movimentou aproximadamente 72 bilhões de dólares no mundo em 2023, com projeções de atingir a marca de 211 bilhões de dólares nos próximos anos. Na Europa, o mercado conta com cerca de 25 milhões de pescadores esportivos, um número que supera significativamente o registrado no Brasil.
O perfil dos turistas que praticam pesca também é digno de nota. Os pescadores europeus costumam dedicar cerca de 18 dias por ano a essa atividade e permanecem em média dez noites em suas viagens de pesca, gastando 36% mais do que os turistas de outros segmentos. Além da pesca, 75% deles buscam experiências adicionais, como gastronomia local, ecoturismo, visitas a locais culturais e interação com comunidades.
Glueck enfatizou que entender esse perfil de comportamento é crucial para o desenvolvimento de produtos turísticos que consigam atrair esse público ao Brasil.
Iniciativas de Mato Grosso para o Setor
A secretária adjunta de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Maria Leticia Arruda, destacou as vantagens naturais que Mato Grosso possui para o fortalecimento do turismo de pesca. O estado tem acesso facilitado a biomas como o Pantanal, Cerrado e Amazônia, que são atraentes para os pescadores esportivos.
De acordo com Arruda, o estado tem adotado diversas iniciativas para fomentar o turismo de pesca, incluindo a lei do transporte zero para espécies nativas, programas de capacitação para condutores de pesca e a realização de inventários turísticos que buscam mapear oportunidades e orientar investimentos no setor.
Sustentabilidade e Futuro do Setor
O fórum também abordou a relevância da sustentabilidade no desenvolvimento do turismo de pesca. A prática da pesca esportiva, quando associada à conservação ambiental e ao turismo de experiência, pode gerar renda significativa para comunidades locais, além de fortalecer atividades como a gastronomia regional, ecoturismo e turismo cultural.
Portanto, o sucesso do setor de turismo de pesca no Brasil depende não apenas de ações estratégicas, mas também de um compromisso com a sustentabilidade e a valorização das comunidades locais. Assim, esforços conjuntos poderão transformar o Brasil em um destino atrativo para pescadores de todo o mundo.
