Literatura indígena em foco no Senado
O Senado Federal sediou um sarau literário marcante para celebrar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas Indígenas, comemorado em 5 de setembro. O evento, intitulado “Sarau: mulheres indígenas encantos de versos”, reuniu vozes femininas originárias que expressam suas histórias e lutas por meio da escrita. O poema Escrevivências, da escritora potiguar Éva Potiguara, abriu o encontro, evidenciando a força e a resistência desses relatos: “A minha escrita eu uso para dizer o que me cala. A minha pele é um mapa de histórias colonizadas. As minhas memórias são rios que teimam cobrir abismos. As minhas vozes desejam acordar ladrões de sonhos.”
Desafios e representatividade das autoras indígenas
A escritora e locutora Marluce Ribeiro, convidada especial do sarau, ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres indígenas para acessar o mercado editorial tradicional. Ela destacou a importância de dar maior visibilidade a essas autoras. “Publicar é uma luta, especialmente para mulheres indígenas. Muitas recorrem às redes sociais, blogs e sites para divulgar seus trabalhos, pois nem todas conseguem publicar de forma oficial. Temos um legado valioso que precisa ser reconhecido e ampliado”, afirmou.
Durante o evento, foram apresentadas trajetórias e obras de escritoras de diversas regiões e etnias brasileiras. Entre elas, Graça Graúna, do povo Potiguara, que vê a literatura como um espaço de sobrevivência utópica; a multiartista amazonense Márcia Kambeba, que luta contra o apagamento cultural do povo Omágua; a carioca Eliane Potiguara, ativista e fundadora da primeira organização de mulheres indígenas no Brasil; Julie Dorrico, do povo Macuxi, de Rondônia; e Auritha Tabajara, do Ceará, reconhecida como a primeira cordelista indígena do país.
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Referências e organização do evento
Marluce Ribeiro explicou que a seleção das autoras para o sarau foi baseada na antologia Guerreiras da Ancestralidade, uma obra em PDF disponibilizada pelo governo que reúne autoras indígenas de várias idades e etnias. Além disso, ela considerou publicações em blogs e sites de poetisas indígenas contemporâneas. O evento foi promovido pelo Comitê Permanente pela Promoção da Igualdade de Gênero e Raça do Senado, em parceria com o Grupo de Trabalho de Afinidade de Raça.
Além de valorizar a produção intelectual das mulheres originárias, o sarau buscou romper com estereótipos e a romantização dessas narrativas, evidenciando o papel fundamental da literatura indígena na resistência cultural. A cobertura do evento foi realizada sob a supervisão de Ana Beatriz Santos, da Rádio Senado, e Joyce Teles.
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