Uma Homenagem à Coragem e Resistência
A escola de samba Unidos de Padre Miguel apresenta no desfile da Série Ouro de 2026 o enredo “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”, que traz à tona a história de Clara Camarão, uma famosa figura indígena potiguara que simboliza a luta e a resistência contra a invasão holandesa no século XVII. Este enredo destaca o papel feminino na história e celebra a força espiritual da Jurema, enfatizando a identidade, ancestralidade e a resistência dos povos originários.
Comissão de Frente: Raízes Ancestrais
Comandada pelo coreógrafo Paulo Pinna, a Comissão de Frente é composta por 17 integrantes, sendo 12 mulheres e 5 homens. O figurino, intitulado “Memória erguida que o tempo jamais apagou”, representa as raízes ancestrais potiguaras, que atuam como guardiãs da memória e espiritualidade da cultura indígena. Durante a apresentação, é realizada uma dança conhecida como Toré, liderada pelo Pajé, que invoca a força da Jurema Sagrada até o surgimento de Kunhã-Eté, um símbolo feminino destinado à luta. Com a adição do tripé “Raízes Sagradas, Herança Ancestral”, a performance acentua a força da ancestralidade e a consagração da guerreira que representa a conexão entre a terra e a memória histórica.
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Sangue Potiguara
O mestre-sala Marcinho Siqueira e a porta-bandeira Cristiane Caldas representam a fantasia “Sangue Potiguara”. Ela simboliza o vermelho-urucum, que é visto como a seiva vital dos potiguaras, evidenciando seu papel de força, proteção espiritual e resistência. A fantasia homenageia o sangue que foi derramado nas batalhas, perpetuando a cultura indígena por meio do canto e da celebração. O figurino do casal é um tributo à ancestralidade e orgulho guerreiro, conectando o pavilhão da Unidos de Padre Miguel à Jurema Sagrada e ao legado de Clara Camarão.
Abre-Alas: As Raízes da Memória Ancestral
No desfile, a Ala 1 traz troncos antigos que representam a comunidade e os anciãos potiguaras, sendo guardiões da memória e espiritualidade da Jurema. A Ala 2, composta por crianças, simboliza a renovação da ancestralidade, sendo vistas como os brotos da árvore sagrada, que conectam passado e futuro. O pajé, interpretado por Juarez Souza, se destaca como o guia espiritual que conduz Clara à consagração junto à mãe d’água. Na Ala 3, as águas da mãe d’água evocam o chamado espiritual que desperta Clara para sua missão, marcando o passo da apresentação. O carro abre-alas, intitulado “A consagração de Kunhã-Eté”, representa o batismo espiritual de Clara Camarão nas águas do rio Potengi, tingidas de urucum. Este é o momento pivotal em que a jovem é consagrada como guerreira pela mãe d’água, reconhecendo suas raízes e a conexão entre o plano físico e o espiritual.
Destaques e Composições do Samba-Enredo
Os destaques da apresentação incluem Deise Mara, que representa os encantos da mãe d’água, e Luciana da Silva, interpretando a personagem Kunhã-Eté. A composição do samba-enredo traz a ancestralidade potiguara e as filhas da mãe d’água em destaque, com letras que evocam a luta e a força do povo indígena. Os compositores Thiago Vaz, Jefinho Rodrigues, W. Correa, Richard Valença, Miguel Dibo e Cabeça do Ajax se uniram para criar este poderoso hino que ecoa a resistência e a conexão com a natureza.
O samba-enredo é um apelo à lembrança e valorização das raízes indígenas, com versos que falam da força da terra e da luta do povo potiguara. A apresentação da Unidos de Padre Miguel não é apenas uma festa, mas uma reafirmação da identidade e resistência dos povos originários, ressoando por toda Sapucaí e além.
