Ação das Forças de Segurança e Apreensão de Armas
Na tarde desta terça-feira (24), doze indivíduos foram autuados por tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores, após o ataque a tiros contra duas turistas do Rio Grande do Sul. A operação ocorreu no município de Prado, localizado no extremo sul da Bahia, e contou com a participação das forças de segurança do estado, conforme informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
As vítimas, mulheres de 55 e 57 anos, foram atingidas enquanto trafegavam de carro por uma estrada vicinal em uma área marcada por conflitos fundiários. Ao se depararem com um bloqueio na via, o veículo delas foi alvo de disparos provenientes de um grupo com os rostos pintados. Um homem que também estava no carro não sofreu ferimentos, mas a situação chamou a atenção das autoridades locais.
Território Indígena em Conflito
A estrada onde as turistas foram baleadas se localiza no território indígena de Comexatibá, uma região em disputa entre os povos indígenas e fazendeiros. Em uma decisão do Ministério da Justiça de novembro de 2025, a área foi reconhecida como posse permanente do povo Pataxó, mas os conflitos na região ainda persistem.
Os suspeitos do ataque foram localizados rapidamente em uma operação integrada das polícias militar, federal e civil. Durante a abordagem, foram apreendidas cinco armas de fogo, incluindo quatro carabinas e um revólver, de calibres 12 e 38, além de munições.
Socorro às Vítimas e Reforço Policial na Região
Após o ataque, as turistas foram socorridas em um posto de saúde no distrito de Corumbau, em Prado, e posteriormente transferidas de helicóptero para um hospital em Porto Seguro. Até o momento, os nomes das vítimas não foram divulgados e informações sobre o estado de saúde delas permanecem restritas.
Em resposta ao ocorrido, a SSP-BA informou que as equipes da Força Integrada de Combate a Crimes Comuns Envolvendo Povos e Comunidades Tradicionais estão intensificando o patrulhamento e as ações de inteligência na área. Além disso, o Governo da Bahia havia anunciado no dia anterior o envio de reforço policial para o sul do estado, devido ao aumento da tensão na região.
Nota do Coletivo de Lideranças Indígenas
Em nota divulgada, o Coletivo de Lideranças Indígenas da Terra Indígena Comexatibá – Povo Pataxó se manifestou sobre o ataque, esclarecendo que os disparos não foram realizados por indígenas do movimento pela Terra Indígena Comexatibá. O grupo atribui a violência a “grupos armados e organizados por interesses privados”.
O coletivo também destaca que a Terra Indígena Comexatibá foi oficialmente reconhecida como posse permanente do povo Pataxó, mas a demarcação física e a retirada de ocupantes não indígenas ainda não foram concluídas. Além disso, a nota menciona relatos de ataques a áreas de retomada, como nas fazendas Bela Vista e Barra do Cahy, além de um suposto sequestro de uma família indígena, informações que ainda precisam ser verificadas pelas autoridades.
Buscando Justiça e Segurança
As lideranças indígenas pedem por investigações com “imparcialidade e transparência” e criticam a difusão de narrativas falsas nas redes sociais sobre os eventos. Eles também solicitam medidas emergenciais de proteção para as comunidades indígenas e para a população local.
As circunstâncias em torno do ataque às turistas seguem sob investigação das autoridades competentes, que buscam esclarecer os fatos e garantir a segurança na região.
