Uma Nova Perspectiva Sobre Titã
Cientistas realizaram uma pesquisa inovadora que combina teorias anteriores, dados da sonda Cassini e simulações para recontar a história de Titã, a maior lua de Saturno. O estudo, que foi publicado recentemente no The Planetary Science Journal, revela que Titã possui um tamanho notável, equivalente a metade do tamanho da Terra e maior que Mercúrio. Sua força gravitacional é tão intensa que provoca oscilações e inclinações em Saturno, além de afastar-se do planeta a uma taxa de 11 centímetros por ano. Essa instabilidade é apenas uma parte dos muitos mistérios que os astrônomos buscam desvendar sobre Saturno e suas 274 luas.
Matija Ćuk, cientista pesquisador do Instituto SETI em Mountain View, Califórnia, e autor principal do estudo, afirmou: “Neste artigo, tentei reunir todas essas informações e proponho que existiu uma lua extra há cerca de meio bilhão de anos que colidiu com Titã e que, na verdade, tornou-se parte de Titã.” Essa teoria levanta novas questões sobre a formação de Hiperlão, a maior lua não esférica que, embora ainda menor que Titã, pode ter surgido a partir do impacto mencionado.
Hiperlão: Uma Possível Consequência da Colisão
A possibilidade de que Hiperlão seja um fragmento resultante dessa colisão entre Titã e a lua perdida abre um novo leque de discussões. Ćuk também sugeriu que essa fusão poderia ter contribuído para a formação dos icônicos anéis de Saturno. Antes da missão Cassini, a maioria dos astrônomos acreditava que as oscilações de Saturno eram causadas por perturbações gravitacionais de Netuno.
“As órbitas dos planetas são imensas e possuem uma enorme energia. Contudo, a rotação dos planetas é muito menor. Se você conectar os dois movimentos, a interação entre a órbita de Netuno e a rotação de Saturno é que determina a rotatividade de Saturno,” explicou Ćuk.
Em 2022, a hipótese de que essa inclinação poderia ser atribuída a uma lua perdida, nomeada Crisálida, começou a ganhar força. Essa lua orbitou Saturno por bilhões de anos, afetando sua ressonância com Netuno. No entanto, há cerca de 160 milhões de anos, Crisálida se aproximou demais de Saturno e foi destruída, um evento que se acredita ter contribuído para a formação dos anéis do planeta e alterado sua inclinação.
A Teoria da Lua Perdida
Após aprimorar essa hipótese, Ćuk chegou à conclusão de que a lua perdida colidiu com Titã, resultando na perda de grande parte de sua massa. Essa colisão poderia explicar tanto a órbita instável de Titã quanto a rotação de Saturno. Segundo ele, a gravidade e a massa da lua perdida eram fundamentais para manter Saturno e Netuno em sincronia, e o desaparecimento dessa lua pode ser a razão pela qual os dois planetas estão desalinhados atualmente. O estudo aponta que os anéis de Saturno podem ter se formado milhões de anos após essa catástrofe cósmica, com a órbita instável de Titã perturbando suas luas vizinhas e levando a colisões que resultaram na formação dos anéis.
Mistérios Que Intrigam os Cientistas
A origem dos anéis e a evolução das luas de Saturno permanecem como enigmas para a comunidade científica. Linda Spilker, pesquisadora sênior, comentou: “Os anéis podem ter apenas algumas centenas de milhões de anos, ou podem ter se formado ao mesmo tempo que Saturno.”
William B. Hubbard, professor emérito de ciências planetárias da Universidade do Arizona, observou que Saturno oscila como um pião em uma frequência que se aproxima de uma frequência fundamental do sistema solar, mas essa sintonia não é completa, sugerindo que algum tipo de perturbação recente pode ter ocorrido.
Por sua vez, Carl Murray, professor emérito de matemática e astronomia da Queen Mary University of London, destacou que as ideias apresentadas por Ćuk são complexas, mas plausíveis. Ele argumentou que há indícios de que o sistema de Saturno evoluiu desde sua formação, embora compreender a extensão dessa mudança tenha sido um desafio. As medições precisas da sonda Cassini ao longo de 13 anos, combinadas com dados históricos, revelaram que a órbita de Titã está se expandindo mais rapidamente do que o esperado.
