Líderes Yanomami Questionam Dados e Pediem Vacinas
Um surto de coqueluche deixou um rastro de luto entre as comunidades Yanomami, com três crianças perdendo a vida e mais de 30 casos notificados. Waihiri Hekurari Yanomami, presidente da Urihi Associação Yanomami, contesta os números oficiais do Ministério da Saúde, que aponta apenas três mortes, afirmando que cinco crianças faleceram devido à doença. Segundo ele, duas delas eram das comunidades de Parima e Roko, enquanto três outras morreram após serem transferidas para a capital. O líder ressalta que a situação é crítica, com muitas crianças internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, além de outras aguardando remoção de locais isolados, como Surucucu.
Hekurari relata que o primeiro caso de coqueluche foi detectado em 25 de dezembro, e suspeita que a enfermidade tenha sido trazida para as aldeias por garimpeiros ilegais. Ele relembra como ficou alarmado ao saber do surto e a gravidade da doença:
“Fui informado sobre o primeiro caso e fui entender que se tratava de uma doença muito contagiosa e perigosa… Acreditamos que os garimpeiros levaram isso para nossas comunidades, onde eles estavam abrindo estradas para a exploração.”
Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, reforça as dificuldades enfrentadas para notificar os casos, especialmente nas regiões mais remotas. Ele também critica a falta de vacinação, afirmando:
“Estamos lutando para entender a real dimensão do problema, pois as aldeias estão distantes. As vacinas não estão sendo aplicadas, e não compreendo o motivo. O governo Lula não está oferecendo assistência.”
Demandas Urgentes e Ações de Saúde
As lideranças Yanomami estão exigindo uma resposta imediata do governo que inclua a intensificação das campanhas de vacinação, a expansão das equipes de saúde, e a agilidade no deslocamento de pacientes necessitados. Hekurari expressou sua indignação com a situação:
“Estou extremamente preocupado com a coqueluche. O governo não tem sido transparente. Eles querem esconder a situação por ser ano eleitoral. O nosso povo já enfrenta tantos problemas como fome e desnutrição. Não é aceitável que tenhamos que lidar com mais esta crise.”
O médico Gustavo Bretas, especializado em medicina tropical, destacou a urgência de ações vacinais voltadas para os povos indígenas, enfatizando a necessidade de um modelo de assistência à saúde que respeite e se integre à cultura indígena:
“Devemos ampliar as campanhas de vacinação imediatamente e já pensar em revacinações para o futuro. É essencial capacitar os indígenas, pois eles possuem uma resistência genética menor a doenças.”
Ações do Ministério Público e Monitoramento da Situação
Em resposta a essa grave situação, o Ministério Público declarou que enviou, de forma emergencial, um grupo de 50 profissionais para reforçar o atendimento no polo base de Surucucu, onde as equipes já estavam trabalhando. A entidade também afirmou que os casos de coqueluche estão sendo monitorados e que as ações de vacinação na região foram intensificadas.
A evolução do surto e as circunstâncias das mortes continuam a ser acompanhadas pelas autoridades de saúde, em um cenário que demanda urgência e cuidado redobrado com as comunidades Yanomami.
