Inauguração Marca Novo Capítulo para Comunidades Indígenas
No dia 2 de fevereiro, o Governo do Brasil deu um passo significativo em direção à segurança alimentar das comunidades indígenas ao inaugurar a primeira unidade de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami, situada na comunidade de Sikamabiu, na região do Baixo Mucajaí, em Roraima. Esta ação é um reflexo do compromisso do governo em recuperar a área após a retirada do garimpo ilegal, promovendo um futuro mais sustentável e autônomo para os Yanomami.
O projeto busca devolver a autonomia produtiva aos habitantes da região, respeitando suas tradições culturais e incentivando a utilização sustentável dos recursos naturais locais. “Estamos trabalhando para a segurança alimentar, e este passo é fundamental não apenas aqui, mas em diversas comunidades amazônicas”, afirmou Wellington Dias, Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
A Estrutura e os Benefícios da Unidade
A unidade inaugurada em Sikamabiu faz parte de um projeto mais amplo, que prevê a criação de mais sete unidades de soberania alimentar até o final do ano. Com o objetivo de beneficiar 18 comunidades indígenas em áreas como Surucucu, Homoxi e Xitei, essas instalações combinam produção de alimentos, recuperação ambiental e capacitação, ajudando na restauração de áreas que foram degradadas pelo garimpo.
A estrutura recebeu um investimento de R$ 90 mil do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e contou com a presença do ministro Wellington Dias. O ministro lembrou de visitas anteriores ao estado, onde a fome era uma realidade alarmante entre as comunidades. “Hoje, estamos avançando para garantir que essas populações tenham a assistência necessária”, destacou.
Produção Sustentável e Capacitação Comunitária
Na nova unidade, foram implantados um aviário com 100 galinhas e um viveiro com capacidade para 2 mil mudas de espécies nativas, como açaí e cacau. A estrutura também inclui tanques de compostagem para produzir adubo natural. As roças comunitárias cultivam mandioca, batata e arroz, enquanto Sistemas Agroflorestais foram implementados para recuperar as áreas afetadas pela atividade do garimpo.
Além disso, um tanque escavado de 440 metros quadrados foi construído para a criação de peixes, atendendo à demanda alimentar da comunidade. Dois açudes, anteriormente utilizados pelo garimpo, foram reabilitados e agora servem como criadouros. A ausência de contaminação por mercúrio foi confirmada, permitindo a reintegração dessas áreas ao sistema produtivo, com cerca de 4 mil filhotes de peixes já abrigados nesses espaços.
Fortalecimento da Autonomia Local
A comunidade de Sikamabiu, que abriga aproximadamente 30 famílias, totalizando cerca de 400 indígenas, está se reconstruindo. Onde antes havia dragas e máquinas de garimpo, agora cultivam alimentos de maneira sustentável, fortalecendo assim a segurança alimentar e a autonomia da população local.
Em colaboração com o Ministério da Pesca e Aquicultura, foram instalados 10 tanques elevados com revestimento impermeável para a criação de tambaqui, que abrigam mais 4 mil filhotes. Essa ação, em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima, também visa formar 34 indígenas para o manejo desses tanques, garantindo a autonomia na produção de proteína animal, com uma projeção de alcançar até 1 tonelada até 2026.
Outras Iniciativas e Planos Futuros
A agenda do Governo em Roraima incluiu diversas entregas importantes, como a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, que oferece atendimento especializado e proteção contra violações de direitos humanos. Essas ações fazem parte do Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami, coordenado pela Funai, que reúne esforços de diferentes ministérios para promover o bem-estar dos povos Yanomami e Ye’kwana.
A Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil com 9,6 milhões de hectares, abriga aproximadamente 31 mil indígenas, e iniciativas como essas são essenciais para garantir um futuro mais justo e sustentável para os povos nativos.
