Iniciativa Inovadora para a Saúde Indígena
O Ministério da Saúde do Brasil lançou, no dia 19 de setembro, um módulo inovador que promete transformar o cuidado com a saúde das crianças indígenas. Intitulado Monitoramento do Desenvolvimento na Infância, essa ferramenta integra o Sistema de Atenção à Saúde Indígena (SIASI) e tem como objetivo gerenciar informações essenciais sobre a saúde dessa população.
A nova plataforma funcionará como um apoio decisivo para as equipes multidisciplinares, permitindo a avaliação dos marcos de desenvolvimento infantil. Isso inclui a análise de questões neuropsicomotoras, a detecção de sinais de risco associados a transtornos do espectro autista e a identificação de situações de vulnerabilidade, como suspeitas de violência.
Fortalecimento da Atenção Primária
Putira Sacuena, Diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena, enfatizou a importância dessa iniciativa. Segundo ela, “a sistematização dessas informações em saúde é um eixo totalmente estratégico para o cuidado da infância indígena. Isso não apenas possibilita um monitoramento contínuo do crescimento e desenvolvimento das crianças, mas também permite a identificação precoce de riscos e vulnerabilidades”.
Até recentemente, a falta de um campo específico para o rastreio do desenvolvimento infantil no SIASI dificultava a padronização e a análise de dados. Com a implementação desse módulo, essa lacuna foi corrigida, possibilitando uma supervisão integral de crianças de até 10 anos.
Planejamento Eficiente na Assistência à Saúde
Juliane Azevedo, assessora técnica do Departamento de Gestão da Saúde Indígena, afirmou que a base de dados criada por essa ferramenta permitirá um planejamento mais eficiente na assistência à saúde das crianças indígenas. “Esse recurso é fundamental para aprimorarmos a gestão e promover melhorias na saúde indígena. Desde o teste do pezinho até os 10 anos, essa fase é crucial, pois é um período em que conseguimos rastrear doenças que podem impactar a vida adulta”, destacou.
Integração de Conhecimentos para Redução da Mortalidade Infantil
Vanderson Brito, especialista em Saúde e Educação Escolar Indígena, ressaltou que a principal meta desse programa é a redução da mortalidade infantil, através da união dos saberes das ciências ocidentais e indígenas. “Estamos aprimorando as informações para fortalecer a sinergia entre essas ciências, que estão cada vez mais visibilizadas no Sistema Único de Saúde. Precisamos não apenas entender as medicinas indígenas, mas também reconhecê-las formalmente como uma estratégia de cuidado”, afirmou Brito.
O lançamento do Monitoramento do Desenvolvimento na Infância contou com a participação de representantes dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Esses distritos são organizados com base em critérios etnoculturais, geográficos e demográficos, agrupando diferentes terras indígenas que compartilham características semelhantes, o que facilita a logística e o atendimento de saúde, independentemente dos limites de estados ou municípios.
Essa iniciativa é um passo importante na promoção da saúde e bem-estar das crianças indígenas, garantindo que elas recebam a atenção necessária para um desenvolvimento saudável e seguro.
