Análise da Vulnerabilidade Brasileira
O recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela expõe um cenário alarmante para o Brasil e demais países da região. Os EUA, em sua postura imperialista, demonstram disposição para utilizar a força militar em sua busca por interesses estratégicos. O Hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Patagônia, é visto como um “quintal” das superpotências, evidenciando a precariedade da soberania de nações como a nossa.
Em 2019, publiquei um livro intitulado “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, reafirmando a grandeza do nosso território e população, além de sua relevância econômica. Contudo, essa grandeza não se traduz em um comportamento à altura das nossas dimensões. É imprescindível que os brasileiros reconheçam sua obrigação de resistir a qualquer ameaça externa. Infelizmente, muitos membros da elite brasileira parecem dispostos a se submeter às imposições de potências estrangeiras.
Recentemente, os principais candidatos à presidência da República em 2026, todos alinhados à direita, manifestaram apoio à intervenção dos EUA na Venezuela. Essa postura revela que eles buscam a presidência não para governar o Brasil, mas para servir aos interesses de líderes como Donald Trump. Assim, a eleição de 2026 se apresenta como um marco decisivo para o futuro da nação.
Riquezas Naturais e a Cobrança Internacional
O Brasil, além de ser um país vasto, é rico em recursos naturais que atraem a cobiça internacional. A superpotência americana está disposta a tudo para garantir acesso facilitado a esses bens. O sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro e as exigências de Trump por acesso aos recursos da Venezuela são um alerta para o Brasil, que, embora não seja o alvo imediato, pode facilmente se tornar uma próxima vítima.
A vulnerabilidade militar do Brasil representa um risco existencial. Se bem que não sejamos o foco, a instabilidade na região é preocupante. Assim como a casa do vizinho em chamas serve de advertência, o Brasil precisa reconhecer a urgência de fortalecer suas capacidades de defesa.
Preparação Militar e Desafios Históricos
É imperativo que o Brasil se prepare militarmente, e isso pode incluir o desenvolvimento de armamento nuclear. Sempre defendi que o país deve focar no fortalecimento de seu aparato de defesa, não para enfrentar uma superpotência como os EUA, mas para deixar claro que qualquer ataque pode resultar em perdas significativas para o agressor.
À luz dos acontecimentos recentes, é evidente que o governo Trump valoriza apenas aqueles que têm força militar e capacidade de retaliação, como China e Rússia. Mesmo aliados tradicionais, como a Europa, têm enfrentado desrespeito por parte dos EUA. A possibilidade de uma ocupação da Groenlândia serve como exemplo da humilhação que países aliados podem sofrer.
Necessidade de Revisão da Política de Defesa
Diante deste contexto, torna-se urgente revisar completamente a política de defesa do Brasil e aumentar os investimentos militares. É uma tarefa difícil e cara, mas necessária para garantir nossa independência. A cooperação militar com países como China e Rússia deve ser ampliada, não para brigar com nações vizinhas, mas para se proteger contra ameaças externas.
Historicamente, o Brasil não enfrentou ataques desde a Guerra do Paraguai, e essa sensação de segurança perpetuou a ideia de um país em paz. Porém, essa tranquilidade precisa ser revista. O Brasil não pode se dar ao luxo de ignorar a necessidade de defesa frente a uma superpotência agressiva. O tempo é curto e precisamos agir rapidamente para construir uma defesa efetiva.
A Eleição de 2026 e o Futuro do Brasil
As eleições presidenciais de 2026 serão um momento crítico, com a possibilidade de interferências externas. Eleger um líder que atenda aos interesses de potências estrangeiras pode ser um caminho fácil para a dominação do Brasil. Por isso, é vital unir forças em defesa da reeleição de Lula, que representa uma resistência a essas incursões.
Um eventual sucesso na reeleição de Lula pode mudar o jogo a partir de 2027, mas a resistência a possíveis ameaças externas será necessária. As experiências da história demonstram que os EUA possuem um histórico imperialista e, em sua busca por manter a hegemonia, não hesitarão em agir contra aqueles que representem um obstáculo. O Brasil deve, portanto, se preparar.
Conforme os americanos costumam dizer, “the writing is on the wall”. É hora de agir antes que seja tarde demais.
Esta análise foi adaptada de um artigo publicado na revista Carta Capital.
