Mobilização e Resistência pela Revogação do Decreto
Na manhã de sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, Cristian Arapiun, uma das lideranças da ocupação da sede da Cargill, esteve presente em uma entrevista conduzida pelo jornalista Mauro Lopes, do canal Manhã Brasil. A conversa também contou com a participação de Luiz Marques, professor aposentado de História da Unicamp. Durante o programa, foram abordados os contextos geográficos e históricos da região do Baixo Tapajós, além de discutir o protesto contra a inclusão dos Rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND).
Um dos trechos mais marcantes da entrevista foi a fala de Cristian: “Se o governo achar que vai perder a gente pelo cansaço, ele já perdeu”. Essa declaração sintetiza o sentimento de determinação que permeia a ocupação, que já se estende por 22 dias, com os manifestantes firmes em suas reivindicações.
Indignação com a Ministra dos Povos Indígenas
A manifestação também expressou indignação em relação a um vídeo postado nas redes sociais por Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, no dia 12 de fevereiro. Os líderes e participantes do movimento criticaram a aparente omissão da ministra em relação às demandas pela revogação do Decreto nº 12.600/2025, que permite a privatização dos rios. Eles alegaram que a ministra não se manifestou de forma significativa sobre a pressão contra o governo federal que assinou o decreto, o que gerou frustração entre os presentes.
O vídeo gerou a impressão de que Guajajara estava tentando se desvincular das responsabilidades que sua posição impõe, destacando outros feitos de seu mandato, mas sem mencionar a mobilização em Santarém, que antecedeu a gravação.
Condições Desafiadoras e Estrutura da Ocupação
Apesar das difíceis condições climáticas, incluindo chuvas e altas temperaturas, a determinação dos manifestantes permanece inabalável. Para garantir o conforto e a organização do acampamento, a estrutura da ocupação está em constante expansão, com a construção de um redário de madeira. Além das lonas que já oferecem abrigo para áreas de cozinha, plenárias e descanso, a resistência se reafirma na ocupação das vias públicas, como a Avenida Tapajós e a Rua Vera Paz, que dá acesso à sede da Cargill e à Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
Impactos nas Empresas e Continuidade da Luta
Até o momento, os efeitos da ocupação na transnacional Cargill não têm sido significativos, uma vez que a empresa contratou um novo porto, o Porto DER, para suas operações. Os colaboradores ainda conseguem acessar seus postos de trabalho sem grandes impedimentos. Contudo, a barricada na Rua Vera Paz tem gerado um impacto considerável na distribuidora de combustíveis Raizen, que solicitou à prefeitura a desmobilização da barricada.
Enquanto as reivindicações dos povos indígenas, da juventude e dos movimentos sociais não forem atendidas, a resistência na ocupação continua firme. A luta não apenas pela preservação dos rios, mas também pela justiça social e respeitabilidade dos direitos indígenas, é um dos pilares que sustenta a mobilização.
Apoio ao Movimento
Para aqueles que desejam contribuir com essa luta, o movimento está aceitando doações via PIX: 16.901.945/0001-14 (CNPJ), em nome do Conselho Indígena Tupinambá. O apoio da comunidade é fundamental para fortalecer essa resistência e garantir que as vozes dos povos indígenas sejam ouvidas e respeitadas.
