Ministros Boulos e Guajajara em Ação com Indígenas
Na próxima segunda-feira, dia 23, os ministros Guilherme Boulos, que atua na Secretaria-Geral, e Sonia Guajajara, responsável pela pasta dos Povos Originários, receberão um grupo de indígenas do Baixo Tapajós, no Pará. O encontro ocorre após a invasão do terminal portuário da multinacional Cargill, localizado em Santarém (PA), como forma de protesto contra o decreto 12/600, assinado pelo presidente Lula. Esse decreto permite a privatização e a concessão de trechos estratégicos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira.
As lideranças indígenas, que alegam a falta de diálogo por parte do governo, afirmam que a ocupação do terminal foi uma medida necessária. A situação se torna mais tensa, pois a Justiça já determinou a reintegração do terminal, estipulando que a ocupação deve ser encerrada até a data do encontro com os ministros.
A mobilização é coordenada pelo Cita (Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns), que representa 14 povos da região. De acordo com o conselho, a ação noturna aconteceu após “um mês completo de silêncio institucional e ausência de respostas concretas” por parte do governo. Os indígenas ressaltam que a decisão de ocupar o terminal não foi uma ação impulsiva ou violenta, mas resultado de uma construção coletiva de indignação em relação ao decreto assinado por Lula no dia 28 de agosto do ano passado. Eles afirmam que a invasão serve para defender “o direito de existir”.
Motivos e Desdobramentos da Ocupação
A ação de ocupar o terminal está intimamente ligada à ordem de desocupação expedida pela Justiça. Para conter os indígenas, uma operação policial foi mobilizada, com um prazo de 48 horas para que a desocupação fosse realizada, a contar da notificação recebida. Os indígenas foram informados sobre a ordem por um oficial de justiça às 8h da última sexta-feira, dia 20.
A manifestação é emblemática, pois reflete a luta contínua dos povos indígenas por seus direitos e pela preservação de seus territórios, especialmente em um cenário de crescente privatização e exploração de recursos naturais. Os líderes indígenas esperam que a reunião com os ministros traga a oportunidade de reverter a situação e abrir um canal de diálogo efetivo com o governo federal.
Este episódio não é isolado. Nos últimos anos, diversos movimentos indígenas têm se mobilizado para contestar decisões governamentais que impactam suas comunidades e modos de vida. Assim como em outras circunstâncias, como a luta contra a construção de hidrelétricas e a exploração de petróleo em terras indígenas, o atual protesto destaca a urgência de um diálogo verdadeiro entre o governo e os povos originários.
