Capacitação e Desenvolvimento Local
O Projeto Terra Preta deu início a suas atividades em 2026 com o 8º Encontro de Cidadania Digital, realizado na Aldeia Belém dos Solimões, em Tabatinga, no Amazonas. Essa iniciativa representa uma colaboração entre a EAF e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com o intuito de preparar comunidades indígenas e ribeirinhas para a chegada da Internet de alta velocidade, proporcionada pelo programa Norte Conectado.
O foco da ação é capacitar os povos da etnia Tikuna e outras onze etnias para utilizarem de forma produtiva a conectividade proporcionada pelas infovias subfluviais do programa federal. O objetivo é transformar a conectividade técnica em ferramentas efetivas de desenvolvimento local.
No primeiro encontro deste ano, o programa destacou a importância do combate à desinformação, abordando temas como o uso seguro das redes sociais e o acesso a serviços de Governo Digital (e-Gov), essenciais para garantir direitos básicos às comunidades. Essa discussão foi fundamental para empoderar os participantes em um mundo cada vez mais digital.
A programação do evento também incluiu o lançamento da Rádio A’uma, considerada a primeira rádio comunitária indígena da Amazônia. Além disso, foram realizadas oficinas de produção de podcasts e a construção de mini transmissores, demonstrando o compromisso do projeto com a inovação e a comunicação.
Outra atração do encontro foi uma feira de produtos locais, que teve o intuito de fortalecer a economia de cada comunidade participante. As apresentações artísticas e culturais incluíram danças tradicionais, teatro, grafismo Tikuna e Kokama, além da contação de histórias Ticuna (Oregü). O evento foi encerrado com a realização do Ritual da Moça Nova, uma importante cerimônia de iniciação feminina do povo Tikuna, que simboliza a valorização das tradições locais.
O Impacto do Terra Preta
Desde 2025, o Projeto Terra Preta já alcançou cerca de 300 lideranças de doze etnias diferentes, abrangendo estados como Amazonas, Pará e Roraima. Aproximadamente 300 integrantes de coletivos, comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas participaram dos encontros, representando etnias como Tikuna, Kambeba, Kokama, Mayoruna, Macuxi, Wai Wai, Taurepang, Wapichana, Yanomami, Baniwa, Galibi e Anajás.
Ao longo de 2026, estão previstos novos encontros em localidades como Cantá – Serra da Lua (RR) e Ponta de Pedras (PA). O projeto busca ampliar suas ações e alcançar um maior número de comunidades, promovendo a inclusão digital e social.
O professor Guilherme Gitahy, idealizador do projeto e docente da UEA, afirmou: “Estamos capacitando populações para que utilizem a Internet de alta qualidade disponibilizada pelas infovias. Queremos que essa tecnologia floresça, enraizada nos saberes dos povos amazônicos. O nosso objetivo é cultivar uma ‘terra preta digital’, onde o aprendizado de novas ferramentas impulsione o desenvolvimento das culturas locais, da renda e da cidadania”.
Assim, o Projeto Terra Preta destaca-se não apenas por sua relevância na conexão digital, mas também pelo seu papel essencial na valorização e preservação das culturas indígenas na Amazônia.
