Capacitação e Inclusão Digital
O Projeto Terra Preta, resultado de uma parceria entre a Entidade Administradora da Faixa (EAF) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), culminou em 2025 com a capacitação de mais de 200 comunicadores digitais, que participaram de Encontros de Cidadania Digital. Esta iniciativa visa promover um uso consciente e produtivo da internet, que em breve chegará com qualidade superior a áreas remotas, por meio das Infovias do programa Norte Conectado.
Os encontros abordaram temas cruciais, como a comunicação popular e indígena, o uso seguro e crítico da internet e das redes sociais, além de estratégias para combater a desinformação. As oficinas práticas foram focadas em plataformas digitais livres, ferramentas de participação social, e utilização de serviços de governo digital (e-Gov) para garantir direitos aos cidadãos.
Impacto nas Comunidades Locais
Desde seu início em junho deste ano, o Projeto Terra Preta realizou encontros em diversos estados, incluindo Amazonas, Pará e Roraima. Participaram integrantes de coletivos, comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas de pelo menos nove etnias, como Tikuna, Kokama, Mayoruna, Kambeba, Macuxi, Wai Wai, Taurepang, Wapichana e Baniwa. As atividades ocorreram em localidades como Fonte Boa, Santo Antônio do Içá e Tefé (AM), além de Outeiro, Breves e Belém (PA), e Boa Vista (RR).
A diretora de Projetos e Sustentabilidade da EAF, Patrícia Abreu, enfatiza que o projeto transcende a capacitação técnica. “O Terra Preta é um catalisador para o desenvolvimento de iniciativas digitais que fortalecem as culturas locais e ampliam a cidadania. Este é um exemplo concreto de inclusão, onde as comunidades amazônicas assumem o protagonismo, especialmente em um momento em que a infraestrutura de conectividade está sendo implantada”, afirma.
Próximos Passos e Conceito da Iniciativa
Para 2026, já estão agendados novos encontros em localidades como Ponta de Pedras (PA), Caracaraí (RR) e São Paulo de Olivença (AM). A iniciativa se inspira no conceito da terra preta, um solo fértil criado há séculos por povos indígenas, que resultou de práticas sustentáveis e da convivência harmoniosa com a natureza. Assim como a terra preta simboliza regeneração, o projeto Terra Preta busca fortalecer saberes locais e fomentar o florescimento de iniciativas digitais nas regiões amazônicas, promovendo autonomia e a apropriação consciente das novas tecnologias.
O professor Guilherme Gitahy, idealizador do projeto e docente da UEA, destaca o propósito fundamental da proposta: “O objetivo é capacitar as populações que utilizarão a internet de alta qualidade que será disponibilizada, incentivando a criação de uma ‘terra preta digital’ que favoreça o desenvolvimento de ferramentas digitais enraizadas nas culturas locais, impactando positivamente a geração de renda e a cidadania”.
Importância da Cidadania Digital
Jader Gama, coordenador de tecnologia do projeto, ressalta a relevância da capacitação para a cidadania digital. “O Terra Preta prepara os participantes para utilizar ferramentas essenciais, ao mesmo tempo em que reforça o letramento digital e combate a desinformação. A comunicação comunitária resulta em uma rede de confiança, contribuindo para o fortalecimento da vida em nossos territórios”, explica.
Apresentação Durante a COP30
O projeto foi apresentado pela EAF na Casa Brasil, um espaço que recebeu uma programação paralela à COP30, realizada em Belém (PA), em novembro. O Terra Preta foi destaque em um painel intitulado “Conexão que Transforma – Letramento Digital e o Legado Sustentável das Infovias Amazônicas”, onde foram discutidos os potenciais transformadores da iniciativa, além de seu papel como exemplo concreto de inclusão digital e sustentabilidade social.
Sobre a EAF
A Entidade Administradora da Faixa (EAF) é uma instituição sem fins lucrativos, criada pela Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações. Suas atribuições incluem a limpeza da faixa de 3,5 GHz, fundamental para o 5G no Brasil, a execução de programas como Siga Antenado e Brasil Antenado, e a implementação das Infovias na Região Amazônica. Este trabalho visa expandir a infraestrutura de telecomunicações no Norte do Brasil e estabelecer redes privativas de comunicação para o Governo Federal.
