Uma Perdida Inestimável para os Estudos Indígenas
A professora Cándida Graciela Chamorro Argüello, reconhecida mundialmente por suas contribuições aos estudos dos povos Guarani Kaiowá e à história indígena, faleceu na última terça-feira, aos 67 anos. As circunstâncias de sua morte ainda não foram divulgadas, mas seu legado permanece vivo entre os que se dedicam à causa indígena.
Recentemente, Cándida lançou a terceira edição do Dicionário Kaiowá-Português, uma obra que representa um esforço significativo em promover a língua e cultura do povo Kaiowá. Este projeto, que contou com o apoio do Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul, reflete o compromisso da professora em preservar e valorizar as tradições e saberes indígenas.
Nascida em 6 de junho de 1958, no Paraguai, Cándida construiu uma carreira acadêmica sólida no Brasil e no exterior. Sua formação incluiu Música e Teologia, além de um mestrado em História e um doutorado em Teologia. Complementou seus estudos com pesquisas em Antropologia e Romanística na Alemanha e na França, o que a qualificou ainda mais para atuar como uma expert na história indígena.
Por vários anos, foi professora de História Indígena na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e, desde 2015, presidia a Associação Cultural Casulo, localizada em Dourados. Suas publicações incluem diversas obras que abordam as questões históricas dos povos indígenas na América, com ênfase em gênero, linguística e religiosidade.
Em nota oficial, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul manifestou profundo pesar pela morte da professora, destacando a relevância de seus trabalhos em prol das causas indígenas. Segundo a nota, “O trabalho de Cándida, fundamentado em décadas de pesquisa junto às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, deixou um legado vital para a valorização das culturas, línguas e saberes Guarani e Kaiowá, expresso em obras como Kurusu Ñe’ẽngatu, Terra madura e Decir el cuerpo.”
Além disso, a fundação expressou suas condolências a familiares, amigos, colegas e alunos, reconhecendo a importância da contribuição de Cándida à cultura, à educação e à memória dos povos originários.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também se pronunciou sobre o falecimento de Graciela, ressaltando o impacto de sua vida em defesa dos direitos dos povos indígenas. Em sua declaração, afirmam que “Aprendiz e professora junto aos povos Guarani, Graciela foi mestra na arte do conviver, do escutar e do respeitar os modos próprios de ser indígena. Sua atuação teve um impacto significativo em Mato Grosso do Sul, estendendo-se ao Sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina.”
O Cimi destacou ainda a versatilidade de Cándida como escritora, linguista, antropóloga e teóloga, sublinhando que ela fez da língua Guarani um pilar para educação, espiritualidade e reflexão teológica, sempre ancorada nas experiências indígenas.
“No trabalho de formação e na assessoria às comunidades e educadores indígenas, Graciela contribuiu decisivamente para fortalecer a autonomia e a valorização cultural do povo Guarani, além de apoiar os processos de resistência que são tão essenciais para a preservação da identidade e cultura desses povos”, concluiu a entidade.
