Ocupação Histórica e Demandas Urgentes
Na última semana, o povo indígena Xetá iniciou uma mobilização marcante, reivindicando a demarcação de seu território e a reparação por graves violações de direitos humanos que sofreram desde os anos 1950. Aproximadamente 40 famílias dessa comunidade estão ocupando uma área no município de São Jerônimo da Serra, localizado na região norte do Paraná.
Essas famílias, que incluem homens, mulheres e crianças, estavam residindo na Terra Indígena (TI) São Jerônimo, pertencente aos povos Kaingang e Guarani, enquanto aguardavam o desfecho do processo de demarcação de seu próprio território, a TI Herarekã Xetá. Essa espera se estende por impressionantes 26 anos.
Em uma carta pública divulgada no dia 14 de janeiro, as lideranças do povo Xetá afirmam: “Nossas reivindicações principais são a conclusão da demarcação da Terra Indígena Herarekã Xetá e a implementação da reparação que nos é devida”. Essa carta expressa a urgência e a determinação da comunidade.
Demandas por Território e Justiça
De acordo com o documento, as famílias permanecerão na área ocupada até que o governo federal finalize a demarcação de seu território. O processo de reconhecimento territorial teve início em 1999 pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que delimitou a área em 2014, mas desde então, não houve novas ações concretas.
A questão da reparação remonta a um genocídio que afetou os Xetá a partir da década de 1950, em decorrência das políticas de colonização implementadas pelo estado do Paraná, na época sob a governança de Moisés Lupion. A comunidade denuncia que a violência perpetrada por agentes públicos e privados quase levou ao seu desaparecimento. Segundo relatos dos indígenas, “Estamos impedidos de exercer nosso modo de vida e de ter autonomia. A cada dia, nossa cultura fica mais ameaçada, especialmente com a morte de nossos líderes e a separação forçada de nossas famílias”. Para eles, essa situação se configura como genocídio.
Uma Ocupação Pacífica e Visibilidade Necessária
A ocupação da área, que inclui um terreno de reserva legal, foi realizada pacificamente pela comunidade, que acampou no local há uma semana. A assessoria jurídica dos Xetá informa que, até o presente momento, não houve relatos de represálias contra os indígenas. Contudo, a ausência do poder público na região pode expor a comunidade a riscos.
Um dos principais objetivos deste movimento de ocupação é aumentar a visibilidade do povo Xetá e pressionar as autoridades a responderem de forma efetiva às reivindicações que vêm sendo sistematicamente apresentadas. “Somos um povo sem terra”, afirmam as lideranças, enfatizando a desagregação que enfrentam há mais de 70 anos.
Solidariedade e Apoio à Causa Xetá
Com uma população estimada em cerca de 200 pessoas, o povo Xetá se encontra disperso por aldeias de outros povos e centros urbanos. Em sua história recente, essas famílias convivem como inquilinas na TI São Jerônimo, enquanto o processo de demarcação da TI Herarekã Xetá permanece suspenso. Essa terra foi o lar dos Xetá antes de serem expulsos, enfrentando perseguições e violências que culminaram em sequestros e mortes.
Uma das lideranças do povo Xetá expressa a urgência da situação: “O massacre que o povo Xetá vem sofrendo há tanto tempo não é brincadeira! Precisamos de reparação, e sabemos que tanto o governo estadual quanto o federal têm responsabilidade por isso”.
As famílias xetá pedem solidariedade das pessoas e organizações que apoiam a causa indígena. Elas solicitam doações de alimentos, água potável, itens de higiene pessoal e produtos de limpeza, destacando que sua luta é por direitos fundamentais. “Não estamos buscando briga, mas sim lutando por um direito que foi praticamente perdido. Queremos visibilidade em relação à demarcação e à reparação”, afirmam.
Como Contribuir para a Causa
As famílias que ocupam a terra pedem ajuda para manter sua mobilização, com doações que podem ser entregues em locais designados pela comunidade. É fundamental que essa luta por direitos humanos e reparação ganhe a atenção necessária e a solidariedade que merece.
