Denúncia de Violência Obstétrica e Negligência Médica
MANAUS (AM) – Uma família da etnia Tikuna está em busca de respostas após a fratura na clavícula de um recém-nascido, filha de uma indígena do povo, durante o parto na Maternidade Doutor Moura Tapajós. Este hospital, gerido pela Prefeitura de Manaus, localiza-se na Zona Oeste da cidade. A criança veio ao mundo na madrugada do dia 23 de dezembro, quando a gestante já havia chegado à maternidade em trabalho de parto avançado, com dilatação entre 8 e 10 centímetros.
As declarações da família levantam sérias suspeitas de violência obstétrica e negligência médica. Em conversa com a CENARIUM, Clotilde Tikuna, avó da recém-nascida, revelou que exames de ultrassonografia realizados durante a gestação indicavam que a criança apresentava sobrepeso. “A bebê já estava com sobrepeso no ventre, conforme mostraram os exames, pesando cerca de 3,5 quilos”, comentou.
Parto Normal Mantido Sem Indicação
Apesar do diagnóstico, a família alega que foi mantida a opção pelo parto normal, sem que houvesse uma indicação clara para a cesárea. “Disseram que era necessário esperar e realizar o parto normal para evitar a cesárea”, afirmou Clotilde, que considera essa decisão como uma violação dos direitos da mãe e da criança. “Para mim, isso é uma violência, uma negligência”, desabafou.
A recém-nascida, que pesou 4,2 quilos ao nascer, sofreu uma fratura na clavícula durante o parto. Segundo o relato da avó, o trabalho de parto incluiu a administração de ocitocina para intensificar as contrações. Quando a criança enfrentou dificuldades para nascer, foi utilizada uma manobra obstétrica, que pode ter contribuído para a distócia de ombro e, consequentemente, a fratura.
“Aconteceu a fratura na clavícula da bebê”, ressaltou Clotilde. Atualmente, a criança permanece com o braço imobilizado. A avó também revelou que a mãe ainda sofre com dores após o parto, especificamente na articulação da virilha.
Questionamentos Sobre Documentação
Além das complicações físicas, a família contesta a Declaração de Nascido Vivo (DNV) emitida pela maternidade. Clotilde apontou inconsistências no documento recebido após o parto. “Para mim, está sem o número de CRM na assinatura da médica”, afirmou, mencionando que não foi possível identificar claramente o profissional que atendeu durante o parto.
A família afirma que busca esclarecimentos formais sobre o caso e pretende apresentar toda a documentação e registros pertinentes ao atendimento na maternidade. A reportagem teve acesso ao DNV da unidade, que não apresenta o carimbo do profissional responsável pelo atendimento.
Resposta das Autoridades Locais
A CENARIUM entrou em contato com a Prefeitura de Manaus, assim como com a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) e a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), em busca de um posicionamento sobre o ocorrido e os questionamentos da família. Entretanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno por parte das autoridades.
Este caso destaca a importância de um atendimento humanizado e seguro para as mulheres durante o parto, especialmente em comunidades indígenas, onde o respeito aos direitos e à cultura local é essencial. A luta da família Tikuna por justiça e esclarecimento continua.
