Mutirão do SUS para Saúde Indígena
Um novo mutirão promovido pelo programa Agora Tem Especialistas teve início nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, em Itamarati, no Médio Rio Solimões, Amazonas. A ação vai proporcionar cirurgias oftalmológicas para indígenas locais, sendo parte de um esforço mais amplo para diminuir o tempo de espera por consultas e procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Esse mutirão atenderá comunidades sob a supervisão do Distrito Sanitário Especial Indígena Médio Rio Solimões e Afluentes até o dia 22 de fevereiro. Neste momento, a prioridade é para cirurgias, com cerca de 30 pacientes indígenas já avaliados e prontos para procedimentos como cirurgias de catarata e pterígio, realizadas no Hospital Municipal de Itamarati. Essas ações dão continuidade a atendimentos que começaram no ano passado.
Em 2024, foram contabilizados 624 atendimentos especializados, incluindo consultas, exames, triagens e avaliações, além da identificação de pacientes que necessitavam de tratamento contínuo. O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, destacou que a iniciativa do programa Agora Tem Especialistas tem sido fundamental para levar serviços de média e alta complexidade a comunidades remotas, de maneira humanizada e focada nas necessidades reais dos povos indígenas.
Até o segundo semestre de 2024, mais de 21 mil atendimentos foram realizados em aldeias indígenas em todo o Brasil. Essa mobilização busca não apenas atender à demanda de saúde ocular, mas também aliviar as filas do SUS, proporcionando atendimento especializado em regiões que frequentemente enfrentam dificuldades de acesso a serviços de saúde adequados.
Avanços na Educação Indígena
No último sábado, 7 de fevereiro, o Brasil comemorou o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas. Em um passo significativo, a Câmara dos Deputados aprovou a criação da Universidade Federal Indígena (Unind), junto à Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), na terça-feira, 10 de fevereiro. Os textos, que são de autoria do Executivo, agora seguem para apreciação no Senado Federal.
As duas instituições terão sede em Brasília, mas a proposta permite a instalação de campi em diferentes regiões do país. A Unind oferecerá cursos de graduação e pós-graduação em áreas estratégicas para os povos indígenas, abrangendo temas como gestão ambiental, políticas públicas, sustentabilidade, línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias, tecnologias e formação de professores. O objetivo é fortalecer a autonomia das comunidades indígenas e promover o desenvolvimento de conhecimentos que dialoguem com saberes tradicionais.
A nova universidade também se compromete a valorizar culturas e línguas indígenas, além de formar profissionais sensíveis aos direitos dos povos originários. Com essas ações, espera-se não apenas atender às demandas de saúde, mas também investir na educação e no reconhecimento da rica diversidade cultural das comunidades indígenas brasileiras.
