Programação Especial em Homenagem ao Aniversário de São Paulo
Durante o feriado em que se celebra o aniversário da cidade de São Paulo, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) preparou uma programação especial dedicada à reflexão sobre as presenças indígenas no território paulista, a memória ancestral e as formas contemporâneas de resistência. O evento contará com diversas atividades, incluindo contação de histórias, rodas de conversa e encontros formativos, todos com entrada gratuita. O MCI faz parte da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, e é gerido pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em colaboração com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.
Contação de Histórias com Jhennifer Willys
No sábado, 24 de janeiro, às 11h, o MCI dará início à primeira edição de 2026 do Programa Contação de Histórias MCI, apresentado pela artista afro-indígena Jhennifer Willys (Tikuna e Kokama). A apresentação contará a narrativa de ‘As Aventuras de Lillyn’, que narra a jornada de Lillyn, uma menina afro-indígena curiosa e sonhadora que vive na floresta Amazônica. Ao longo de suas aventuras, Lillyn descobre maneiras profundas de se conectar com a natureza, os seres encantados e os saberes ancestrais. A obra busca celebrar a imaginação, a curiosidade e a sensibilidade em relação ao mundo natural.
A Importância da Ancestralidade nas Artes
Jhennifer Willys, natural de Tefé (AM), às margens do rio Solimões, é uma artista multidisciplinar que atua em várias linguagens, incluindo literatura infantojuvenil, música, dança, artes visuais, moda e gastronomia. Seu trabalho é centrado na ancestralidade e na valorização da diversidade cultural, buscando articular arte e educação em distintos contextos.
Diálogo sobre Consciência Indígena
Ainda no sábado, à tarde, o MCI realizará a atividade “Aýmbêre vive: consciência indígena, território e a política da memória Tupinambá”, em celebração ao Dia Nacional da Consciência Indígena. A conversa contará com a presença de Jennyffer Bransfor (Tupinambá), que discutirá a memória do guerreiro Moru’yxába’assu Aýmbêre Tupinambá, falecido em 20 de janeiro de 1567, uma figura emblemática na resistência indígena contra a colonização portuguesa. Esta iniciativa propõe uma reflexão sobre a memória como ato político, a reafirmação da identidade e o enfrentamento do apagamento histórico que os povos originários enfrentam.
Jennyffer Bransfor: Ativismo e Inovação
Jennyffer Bransfor, também conhecida como Bekoy Tupinambá, é uma estrategista de comunicação e ativista que cofundou a BND Digital, a primeira agência de marketing social digital criada por mulheres indígenas. Sua atuação se destaca por conectar ancestralidade e inovação, utilizando o ambiente digital como um espaço para disputa narrativa e transformação social.
Reflexões sobre a Vida Indígena na Metrópole
No domingo, 25 de janeiro, data em que a cidade completa 472 anos, o MCI realizará a roda de conversa “(Re)Existências indígenas na dinâmica cotidiana de uma metrópole”, às 10h30. Este painel contará com a participação de Akayse Fulni-ô (Fulni-ô) e Kerexu Mirin (Guarani Mbya), sob a mediação de Emerson Baré Puranga (Baré). A proposta é refletir criticamente sobre a configuração da cidade sob a perspectiva indígena, abordando o território antes da colonização, os conflitos históricos e os desafios que os povos originários enfrentam em um contexto urbano.
Diálogos sobre Memória e Território
Esta conversa abordará temas como demarcação de terras, memória, ocupação urbana e a presença indígena em um cenário repleto de contradições, desigualdades e disputas territoriais. Os participantes enfatizarão que São Paulo é um território indígena vivo, repleto de histórias de resistência e (re)existência.
Informações sobre o Evento
Todas as atividades têm entrada gratuita, com a necessidade de retirada de ingressos pelo site: https://museudasculturasindigenas.org.br/.
